Opinião: Cinco razões para não crer na política

por Johel Rodrigues

 

  1. Políticos não são seus empregados. Você é empregado deles.

Você se considera patrão de políticos, pois paga seus salários? Seguindo essa lógica, todos os 200 milhões de brasileiros são patrões de políticos. Já imaginou ser um empregado com 200 milhões de patrões? Com tantas opções qual deles você iria obedecer? Simples, àqueles que te pagassem melhor! Além disso, são os políticos que têm o poder de demolir sua casa por qualquer urgência pública. São eles que têm o poder de te colocar atrás das grades, caso você se recuse a pagar seus salários. São eles que têm o poder de te enviar a uma guerra quando for do interesse da nação.

E aí, ainda acha mesmo que você manda em alguma coisa?

  1. Se você estivesse no poder, nada seria diferente.

As pessoas que entram na política são oportunistas, ideólogos ou os dois. Qual das opções você é? O oportunista é inescrupuloso e faz uso da ideologia alheia, manipulando o sentimentalismo da população para se promover. O ideólogo faz uso de sua própria ideologia, para agarrar as oportunidades que se apresentam para alcançar o seu objetivo e promover seus ideais, flexibilizando seus princípios quando for conveniente para alcançar o tal do fim maior.

No final das contas, os dois precisam de poder para alcançar seus objetivos egoístas. Se você não dançar conforme a música, você não terá a chance de ser o DJ uma vez ou outra. Não adianta, você vai se corromper. É isso aí, você vai se corromper.

Se você ainda não tem a mínima idéia do que estou falando, assista ao filme Sérpico estrelado por Al Pacino e dirigido por Sidney Lumet e entenda um pouco melhor.

  1. Dinheiro é diferente de poder.

Talvez, algum dia você tenha dinheiro suficiente para pagar emprestado, quer dizer, pegar emprestado um pouco do poder que a política te dá. Mas antes que chegue o dia que você terá vários lobistas no congresso, você terá que saciar a fome de vários peixinhos para poder. Para poder o que? Para poder. Para poder enriquecer de verdade, por exemplo. Sim, se você quiser sobreviver e se juntar aos tubarões da política e aos tubarões do mercado, você terá que fazer parte dessa bela relação mutualística.

A verdade mesmo é que se você têm poder você enriquece muito mais rápido. Você pode ser um analfabeto, um comediante ou um jogador de futebol, mas se você der voto, você tem poder. Se você der voto, você têm influência. Se você não sabe utilizá-la, não tem problema, existem milhões de maneiras de você ser um inepto corrupto e rico.

  1. O voto não muda nada.

É óbvio que não. Um voto acertado seria aquele que potencialmente escolheria um político que quer diminuir seu próprio poder e aumentar a liberdade e responsabilidade individual da população. Opa, isso é possível? Sim, é! Mas um voto assim não é resultado de um voto acertado. Votos acertados são resultados de idéias corretas que se estabeleceram a tal ponto que a politicagem não tem chance de se manter no poder, a menos que cedam a essas idéias. Preferem perder parte de seu poder a perdê-lo completamente.

  1. Política não tem nada a ver com educação.

Se você acha que educação é tirar notas boas no colégio e conseguir seu diploma em uma universidade pública, você está muito enganado. Nesse caso, se você, acha isso é porque lhe falta a você educação verdadeira, a de valores. Valores, isso é o que está faltando e é essa uma grande arma contra a atual situação política brasileira. A política atual utiliza espantalhos pra culpar estrangeiros pela situação interna, ricos pela situação dos pobres, empregadores pela situação dos empregados ou desempregados. Quem acredita nisso provavelmente é o mesmo que culpa os pais por todo problema que têm ou teve na vida. É o mesmo que acha que ser honesto é um sacrifício e ser humilde para reconhecer um erro é sinônimo de humilhação.

Mas o que são valores, quem sou eu pra falar de valores e o que os valores têm a ver com política? Pois é, política não tem nada a ver com valores. Na verdade, você pode ser um santo, mas isso não quer dizer que por você ser um santo todos serão. Assim, você pode ser honesto, mas isso não quer dizer que ninguém lhe oferecerá propina porque sabe que você tem o poder; que ninguém lhe oferecerá favores para conquistar suas preferências; que ninguém lhe dirá um grande obrigado quando você desinteressadamente ofereceu ajuda.

Você quer ver mesmo o poder que valores têm? Então, retire-os já da política. Lá eles não vão servir pra muita coisa. O poder corrompe, você estando dentro ou fora.


 

Johel Rodrigues é formado em Engenharia Civil pelo Instituto Militar de Engenharia (IME).

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