Uma introdução ao anarcocapitalismo de David Friedman

por Nicholas Leviski

 

David Director Friedman nasceu em 1945, no estado americano de Minnesota. É Economista, Ph.D em física e escritor teórico do anarcocapitalismo. Atualmente leciona direito na Universidade de Santa Clara. Um dos maiores nomes da Escola de Chicago, David Friedman desenvolveu uma visão do anarcocapitalismo que não se baseia em direitos naturais (jusnaturalista) como a de Rothbard, mas simplesmente em vantagens econômicas, onde todos os bens e serviços de uma sociedade, incluindo lei e ordem, podem ser providos pelo mercado de forma muito mais eficaz do que a que temos pelo Estado, como mostra em seu livro The Machinery of Freedom publicado em 1973 e revisado em 1989, onde afirma: “Acredito que o governo não tem nenhuma função apropriada. Nesse sentido, sou um anarquista. Tudo que os governos fazem pode ser dividido em duas categorias: aquelas que poderíamos eliminar hoje e aquelas que esperamos poder eliminar amanhã. A maioria das coisas que o governo faz se encontra na primeira categoria.”

O pai de David Friedman foi ninguém menos que o Nobel em economia Milton Friedman, um dos líderes da escola de economia de Chicago, descrito pelo prestigiado jornal The Economist como “o economista mais influente da segunda metade do século XX… possivelmente de todo o século”. Mais ortodoxo que o filho, Milton defendia uma pequena intervenção do estado na economia.

David Friedman, por sua vez, é pai de Patri Friedman, engenheiro de softwares e teórico de economia política. Patri é entusiasta de iniciativas para aumentar a liberdade humana através da criação de novos países com estruturas sociais alternativas, como o seasteading, cidades flutuantes em mar aberto. Para ele: “A questão não é apenas criar um sistema político ou um tipo de sistema, mas fazer um produto turn key para criar novos países, de modo que os lotes de diferentes grupos possam tentar muitas coisas diferentes, e todos nós podemos aprender com isto”.

Tendo como sua especialidade a economia e não a filosofia moral, é natural que D. Friedman defenda o anarcocapitalismo pelo ponto de vista econômico, apesar de dizer rejeitar o utilitarismo como padrão determinante das ações humanas, porém considerando os argumentos utilitaristas melhores para defender o ideal libertário. As pessoas têm padrões éticos distintos, mas a maioria concorda que a busca pela felicidade e prosperidade são de interesse de toda a humanidade. Um exemplo destacado por ele é defender a liberação das drogas, onde se basear no preceito moral de não violar a liberdade individual dos usuários só convence progressistas, enquanto que mostrar que as leis antidrogas apenas geram criminalidade ao elevar os preços e diminuir a qualidade dos entorpecentes (principal causa de morte entre os usuários), sem reduzir a demanda, então provavelmente poderá convencer inclusive os conservadores que defendem a proibição achando que seria o melhor para a sociedade.

Conforme D. Friedman, o axioma da não agressão só serviria para casos pouco complexos e quando usado de maneira seletiva, sendo as máximas tradicionais como “não se pode iniciar uma agressão” ou “o homem tem pleno direito sobre a sua propriedade, desde que não viole os respectivos direitos de outrem”, inconsistentes para fundamentar todo o corpo teórico libertário. Portanto, somente transgressões significativas seriam questionáveis, para não cair em casos mínimos, como, por exemplo, onde feixes de luz emitidos por sua lâmpada do quintal violem os direitos do seu vizinho ao chegar aos olhos dele sem o seu (o dele) devido consentimento, o que seria um problema se esses feixes de luz fossem um lazer de mil megawatts de potência. Então, como não dá para se definir o que é uma transgressão significativa de forma prática, teríamos que examinar as consequências de cada ação, emitindo assim um juízo utilitarista no final.


 

Nicholas Leviski é coordenador do grupo de estudos Capitalismo e Liberdade; Estudante de administração na Unespar e de economia na Unopar; Judeu; Anarcocapitalista.

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