Por que cidades flutuantes são a próxima fronteira

por Stefano Justo

 

A razão pelo qual governos são tão opressivos é porque não podemos fugir de suas arbitrariedades. Estamos literalmente presos em terra. Mesmo achando que seu custeio está caro e que não produzem o retorno esperado -ou que o próprio ato de financiá-los é ilegítimo, já que estamos sob a vigência de contratos que nunca assinamos- não podemos substituí-los por outros competidores facilmente.

Tiradentes, mártir da Inconfidência Mineira que lutou para libertar a colônia, morreu pagando 20% de impostos; hoje nós pagamos, em média, o dobro, e em geral, calados. Sem reação, a tendência é que a situação se agrave cada vez mais. Mas há uma forma de virar o jogo de uma vez por todas.

deltasync
Esse é um projeto feito pela firma holandesa DeltaSync. Já que flutuar nos garante mobilidade, imagine se sua cidade fosse um quebra-cabeças que bóia. Da mesma forma que avaliamos e agimos conforme nossa prefência quando adquirimos e manuseamos um produto modular (como um smartphone), governos só se formariam se as pessoas decidissem se ligar umas as outras. Isso mudaria fundamentalmente a relação entre os governantes e os governados.

Temos que tornar nossos governos obsoletos, com moedas digitais que fazem bancos centrais se tornarem irrelevantes, com aplicativos que permitam as pessoas alugarem suas casas e seus carros mais facilmente, driblando monopólios criados por relações espúrias mas legalizadas pelo Estado. Realizar impressões 3-D para ignorar patentes e regulamentações, confiar na arbitragem privada para solução de conflitos, criptografar seus dados, e muitas outras soluções. Mas a principal delas é nos libertarmos dos nossos governantes, fisicamente, para sempre.

Para isso, em 2008 foi criado o The Seasteading Institute, por Patri Friedman, neto do vencedor do Prêmio Nobel Milton Friedman, e Wayne Gramlich. Apoiada também pelo empreendedor bilionário Peter Thiel, fundador do PayPal, a organização tem o objetivo de promover comunidades autônomas em águas internacionais para permitir experimentação e inovação com diversidade social, política e jurídica, fora dos territórios reivindicados pelos governos de toda nação estabelecida.

Elon Musk, outro bilionário e criador da SpaceX, a empresa que fez história ao realizar o primeiro voo privado para fora do planeta terra, diz que até a metade do nosso século poderemos ter 50 mil pessoas vivendo em Marte. Isso é o que planejamos habitar em apenas uma comunidade em alto mar, em nosso planeta, e experimentos bem próximos já são planejados para chegar em 2020.

lilypad
Um dos designs para promover essas verdadeiras cidades flutuantes, o Lilypad, foi criado pelo arquiteto belga Vincent Callebaut. Além de ser um dos mais bonitos e sustentáveis já vistos, cada uma dessas comunidades de zero emissão poderia habitar cerca de 50 mil pessoas num local que harmoniza inovação com sustentabilidade.

Isso não quer dizer de forma alguma que eu ache que não devemos pisar no planeta vermelho. Stephen Hawking, físico, cosmólogo e um dos mais consagrados cientistas da atualidade diz que se a raça humana quiser continuar, temos que conquistar o espaço; e eu concordo integralmente com ele. Mas apesar do homem ter chegado à lua 45 anos atrás, é mais fácil flutuar que voar. É mais barato construir estações aquáticas que espaciais. Se quisermos alimentar 10 bilhões de pessoas em um ambiente sustentável até 2050, a humanidade tem que retomar a fonte de toda a vida, o oceano; e então, só então, o céu será o limite.


 

Stefano Justo é Embaixador Chefe do The Seasteading Institute e Conselheiro Executivo dos Estudantes Pela Liberdade

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