Capital financeiro: Exorcizando o demônio da desinformação

por Gustavo Mendes Ferreira

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Muito se fala a respeito do capital financeiro. Para muitos é um vilão a ser combatido com unhas e dentes, responsável desde a falência da padaria do bairro até à fome no mundo.  Sua fama repercute em toda a sociedade. Vira e mexe nos deparamos com políticos – de esquerda, na maioria das vezes – enchendo a boca ao proferir seu nome, justificando medidas econômicas mais enérgicas.

Bem verdade que para 99% da população o “famigerado” capital financeiro é uma incógnita, assim como eram os fenômenos da natureza em épocas passadas. É justificável o espanto ao ser mencionado. Como os fenômenos naturais foram usados para manipular e dominar o povo, por parte de religiosos mal-intencionados e déspotas em outros períodos, assim é feito com o tema em questão nos dias atuais. Pura técnica de dominação pelo medo!

Nesse artigo, me proponho a passar um resumo do que é e para que serve esta ferramenta econômica fundamental para a existência do mundo que conhecemos hoje. Sua utilização é tão antiga quanto a do dinheiro e do crédito, suas histórias andam de mãos dadas. Tratarei de forma superficial, porém, em artigos futuros, comentarei mais minuciosamente sobre o tema e, inclusive, caminharemos juntos em prol de usar essa ferramenta a nosso favor.

Afinal de contas, o que é o capital financeiro, então? Capital financeiro, caro amigo, nada mais é do que o dinheiro embutido em ações, títulos, obrigações, promissórias, carnês do baú e até em faturas de cartão de crédito. O capital financeiro é simplesmente a forma pela qual uma economia financia seus projetos em todos os níveis e escalas. Seja setor privado ou público. Precisou de dinheiro, o mesmo será capitado no mercado de capitais por meio de mecanismos como emissão de debêntures, títulos de dívida pública e CDBs.

Para darmos exemplo, pegaremos uma hipotética empresa de beleza “Dil & Mãe S/A”. A empresa pretende investir em uma nova linha de shampoo e condicionadores. Para isso precisa de capital. Os diretores decidem recorrer à emissão de debêntures (que nada mais são do que papéis que sinalizam que o proprietário tem direito de crédito contra a empresa) para assim financiar o novo projeto. Assim, com o capital em mãos, a empresa se compromete a pagar de volta o dinheiro investido na compra de suas debêntures com uma porcentagem de juros sobre as mesmas aos compradores.

Podemos, também, utilizar o exemplo de um governo que, para financiar uma obra, emite títulos de dívida pública no mercado para arrecadar capital. O governo pode utilizar de uma infinidade de mecanismos no mercado financeiro para obter capital e financiar seus projetos, sejam eles para quais fins forem! Letras do tesouro, Títulos Públicos, Bônus de Guerra e até mesmo incentivo à poupança são exemplos claros de que qualquer governo, por mais que seus líderes insistiam em crucificar o capital financeiro, o utilizam e reconhecem sua importância para o desenvolvimento da economia em geral.

E quem pode comprar esses papéis? A resposta: TODOS. Tirando operações que exigem que seus investidores tenham maior patrimônio para investir (quase sempre acumulado através de muito sacrifício e trabalho), devido à necessidade de somas muito grandes de capital e necessidade de poucos investidores para obter maior liquidez, TODOS podem participar do mercado financeiro, comprar e vender ações, acumular riquezas, etc. Ao contrário do que muitos falam, o capital financeiro é democrático, é de todos nós. Muitos idosos no mundo afora depositam o dinheiro de suas aposentadorias no mercado financeiro com o intuito de  aumentar seu patrimônio, pessoas saem da pobreza ao aprenderem a investir, crianças na África são salvas por meio de empresas que utilizam o mercado financeiro como fonte primordial de receita. Você também pode investir e eventualmente lucrar em operações. Basta querer e procurar uma corretora, abrir uma conta e se tornar mais um opressor dono do capital financeiro!

Bem, através de exemplos triviais vemos que não existe mistério no mercado financeiro e no tal surrado capital financeiro. O que existe é a desinformação e o mau-caratismo de pessoas que insistem em deixar a população na escuridão para se manter no poder através do medo. Muitos destes que propagam a mensagem de ideologias sofistas e retrógradas são os que mais possuem patrimônios aplicados e formados no mercado financeiro. Então, amigos, na próxima vez que alguém disser “temos que lutar contra o capital financeiro! ”, desconfie se ela é mal informada ou mau intencionada.


 

Gustavo Mendes Ferreira é estudante de Economia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e membro do Grupo de Estudos Frèderic Bastiat (EPL/Uerj).

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