Opinião: Os animais e o anarcocapitalismo

por Bruno Cavalcante

 

Uma vez que animais não são capazes de através do diálogo chegar em qualquer solução pacifica e racional para conflitos eles não possuem direitos naturais[1]. Assim como, quando um animal ataca outro, ele não está agindo como um agressor, esse ataque está na sua própria natureza, agressões só podem existir se tratando de homens, que têm a capacidade de prever os possíveis danos de sua ação e resolver conflitos através do diálogo pacifico. Mas isso não quer dizer que defensores dos animais não teriam espaço em um mundo anarcocapitalista.

No mundo atual, de coerção estatal, quando um defensor da causa animal vai preso (muitas vezes por crimes que no anarcocapitalismo nem existiriam) dependendo de qual prisão ele vá, ele é obrigado a comer carne por toda a sua estadia, assim como pessoas que normalmente adeririam à causa animal, quando são presas e levadas para algumas prisões são obrigadas a comer carne de soja por toda a sua estadia e quando saem nunca mais voltam a comer esse tipo de alimento. Isso é um exemplo claro de como a coerção estatal age sobre os indivíduos sendo que o mercado possui soluções melhores e que não violam a liberdade de escolher.

Atualmente os defensores da causa animal já possuem estratégias dentro do próprio mercado para defender os animais, basicamente eles entram em contato com empresas de todos os tipos de produtos e pedem a informação se há, em algum processo de fabricação, a utilização de animais ou se depois de fabricados eles são testados em animais, após isso montam listas atualizadas de tempos em tempos e promovem o boicote pacifico e voluntário dessas empresas e, em contrapartida surgem listas de marcas que não testam ou utilizam matéria-prima animal e com isso criam no próprio mercado novas tendências.

É assim que o mercado funciona, pessoas que não concordam com determinadas formas de produção boicotam e indiretamente fazem pressão para que as empresas adotem formas mais aceitáveis para poderem lucrar. As pessoas não compram queijo por que é feito de determinado material da vaca, as pessoas compram pela sua utilidade perante suas necessidades e custos. O papel do mercado é sempre acompanhar essas tendências que criam obstáculos culturais e que as empresas em busca do lucro precisam encontrar soluções melhores, essa é a forma de a atividade empresarial coordenar a sociedade corrigindo desajustes e que só surgem em pequenos pontos do mercado e vão crescendo.

Um exemplo: http://goo.gl/gqH7Y8wpid-loja-casa-veg-1.jpg

 

1 – Ver http://www.mises.org.br/EbookChapter.aspx?id=25


 

Bruno Cavalcante é estudante de economia na PUC-SP e anarcocapitalista

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2 comentários sobre “Opinião: Os animais e o anarcocapitalismo

  1. Pelo o que vejo, anarcocapitalistas dizem que nem seres humanos tem direitos. Pois quem tem direito tem um dever. E humanos não devem ter deveres.

    Se os animais não tem direitos, assim como os seres humanos, eles tambem não devem ter deveres. Explorar animais não-humanos para obtenção de carne, leite, ovos, puxar charretes, é uma situação que vc está dando um dever para eles. Um dever que eles não tem interesse em cumprir para seu “direito” de explora-lo. Concordam?

    Animais não-humanos não podem reivindicar seus direitos, assim como bebês órfãos não podem reivindicar seus direitos, mas só porque um bebê órfão não pode reivindicar não significa que ele tem um “dever” de cumprir que pessoas abusem deles?

    O que é mais ineficiente: A punição que alguem recebe por ter maltratado um cão numa sociedade ancap, ou a punição que alguem recebe por ter maltratado um cão numa sociedade estatista?

    Não é imoral submeter animais a escravidão na base da força?

    Já que o principio da não agressão é base dos anarco-capitalistas, não deveriam eles serem veganos?

    É logico classificar animais não-humanos como não-agressores? E a partir daí concluir que é errado agredir esses não-agressores?

    Onde estão os argumentos racionais para legitimarmos a crueldade com os animais?

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  2. Não vejo eficiência. Se os defensoras das causas animais não comprarem os produtos cujo processo de fabricação ou testes utilizam animas, esse mercado não vai deixar de existir, pois existem outras milhões de pessoas que são indiferentes quanto a isso. É claro que, de certa forma, eles pressionarão a demanda dessas empresas. Mas o que eu quero dizer é que essa pressão é mínima. Além do mais, convenhamos: sabemos muito bem qual é o perfil das queridas pessoas jurídicas. Posso estar errado, o que direi é feeling, mas eu duvido que nossas amigas (vou citar empresas aleatórias) P&G, Unilever e tantas outras, divulguem, como você sugere, a utilização ou não de animais. Não vou entrar no mérito se é ou não ético usar animais. Admitindo que não seja, o que fazer? Deixar o mercado regular? Como garantir que o comportamento do consumidor seja o comportamento pretendido?Mesmo que o mercado funcionasse, quanto tempo demoraria até deixarem de usar animais? Enfim, acho que é válido o mercado se regular, mas pelo que já escrevi, acredito que você tenha uma noção do fator a mais que eu direi: o Estado pode e deve ajudar o Mercado.

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