Crescimento econômico e meio ambiente são compatíveis?

por Terry L. Anderson

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Esfriando o debate sobre o aquecimento global

 

Na edição de março de 2004 da revista Scientific American, o especialista da NASA para aquecimento global, James Hansen, notou que as emissões de gases do efeito-estufa e as projeções relativas ao aquecimento global são “consistentemente pessimistas”. Hansen sugere que as projeções não levam em conta as menores emissões de dióxido de carbono e metano que os avanços tecnológicos promoveram. Ele explica que a menor emissão de dióxido de carbono é resultado de maior eficiência energética posterior à crise energética dos anos 1970 e, também, da redução nas emissões de metano devido às mudanças tecnológicas ocorridas na agricultura.

O estudo de Hansen possui uma nota otimista em sua conclusão, dizendo que “os elementos principais [de novas tecnologias] requeridos para interromper a mudança climática foram criadas com notável rapidez”. Essa afirmação não teria causado nenhuma surpresa ao economista Julian Simon. Ele considerou que o “recurso primordial” seria a mente humana e acreditava que ela era mais bem motivada pelas forças de mercado. Devido à combinação das forças de mercado e inovações tecnológicas, não estamos lidando com o esgotamento dos recursos naturais. Quando um recurso se torna escasso, o seu preço aumenta, encorajando, dessa maneira, o desenvolvimento de alternativas mais baratas e inovações tecnológicas.

Da mesma forma que o combustível fóssil substituiu o óleo das baleias, seu uso será reduzido por fontes alternativas de energia advindas de novas tecnologias. As forças de mercado também geram crescimento econômico, o qual, por sua vez, leva a avanços na conservação ambiental. Em poucas palavras, as pessoas pobres estão dispostas a sacrificar água e ar limpos, a preservação florestal, e o habitat selvagem em prol do crescimento econômico. Contudo, assim que suas rendas ultrapassam o nível de subsistência, “o crescimento econômico ajuda a corrigir os danos causados anteriormente”, diz o economista Bruce Yandle. “Se o crescimento econômico é bom para o meio ambiente, as políticas que estimulam o crescimento deve ser bom para o meio ambiente”.

A ligação entre as emissões de gases do efeito estufa e a prosperidade econômica não difere do supracitado. Analisando dados dos Estados Unidos, o professor Robert McCormick conclui que “o crescimento do PIB reduz as emissões líquidas totais [de gases do efeito estufa].” Ele vai além, realizando uma tarefa complexa de estimar a emissão líquida de carbono nos Estados Unidos, o qual requer subtrair o sequestro do carbono (o armazenamento de longo prazo do carbono no solo e na água) das emissões totais de carbono.

Pense dessa forma: quando você constrói uma casa, a madeira nela armazena carbono. Em um país pobre aquela madeira teria sido queimada para cozinhar a janta ou para aquecer a casa, dessa forma lançando carbono na atmosfera. McCormick mostra que o crescimento econômico nos Estados Unidos aumentou o sequestro do carbono de várias formas, incluindo métodos melhores de armazenamento de detritos, aumento da cobertura florestal, e maior produtividade da agricultura que reduz o número de hectares de terras cultivadas.

Como as economias ricas sequestram mais carbono em relação às pobres, o carbono armazenado deve ser subtraído das emissões para determinar a adição líquida de emissões de gases do efeito estufa de uma economia. Os dados de McCormick mostram que “os países ricos tiram mais carbono do ar do que os mais pobres” e que “a taxa líquida de crescimento das emissões de carbono por pessoa serão logo negativas nos Estados Unidos”. Colocado de forma diferente, mais rico pode sim significar mais legal.

Os analistas das políticas de aquecimento global concordam que as regulamentações relativas aos gases do efeito estufa tais como aquelas propostas em Kyoto teriam impactos negativos sobre a economia. Além disso, McCormick alerta, nós deveríamos tomar muito cuidado para que as regulações em nome do aquecimento global “não matem a galinha dos ovos de ouro”.


 

Sobre o autor

Terry L. Anderson

Terry Anderson é o presidente do PERC e membro senior da John and Jean De Nault na Hoover Institution da Universidade de Stanford.

Artigo traduzido por Matheus Pacini. Revisado por Ivanildo Terceiro | Artigo original.

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