O Maior Inimigo Dos Pobres

por Artur Fonseca

Gostaria de iniciar este artigo propondo uma questão: Quem é o maior inimigo dos pobres? Ao fazermos uma pergunta como essa em um congresso trabalhista, ou em uma convenção sindical, muito provavelmente iremos ouvir em uníssono respostas do tipo: “Os Burgueses”, “Os ricos” ou ainda: “Os patrões”. Cada vez mais a população brasileira é ludibriada pela falácia de que a economia é um jogo de soma zero, onde para A ganhar, B tem que perder. Por isso vemos sempre no ativismo sindical reivindicações de mais direitos para os trabalhadores e menos “privilégios” para os patrões. Taxação sobre grandes fortunas, controle de preços e lucros e impostos sobre heranças são medidas que, segundo socialistas e estatistas, são necessárias para a redistribuição de riqueza e uma maior igualdade social.

Porém, o que esses grupos não veem é que essas medidas trarão consequências opostas as boas intenções nelas contidas. Um empreendedor que queira lucrar tem de oferecer bens e serviços satisfatórios para o um certo número de clientes cobrando o menor preço possível. Em um ambiente com bastante concorrência, ele tem de se destacar dos demais, seja com menores preços ou com maior qualidade que seus rivais. Um empresário que não consiga ser igual ou superior a seus concorrentes tende a ser excluído desse jogo chamado mercado. Ou seja, a satisfação do consumidor é o objetivo a ser alcançado, não pela benevolência dos empresários, e sim porque essa é a única forma de ele conseguir aferir lucros para si.

                                                                                        

“ Os empregados são eles próprios os consumidores da maior parte de todos os bens produzidos em uma economia. Eles são os consumidores soberanos que “sempre têm razão”. Sua decisão de consumir ou de se abster de consumir determina o que deve ser produzido, em qual quantidade, e com que qualidade. Ao consumirem aquilo que mais lhe convém, eles determinam quais empresas obtêm lucros e quais sofrem prejuízos. Aquelas que lucram expandem suas atividades e aquelas que sofrem prejuízos contraem suas atividades. Desta forma, as massas, na condição de consumidores no mercado, estão continuamente retirando o controle dos fatores de produção das mãos dos empreendedores menos capazes e transferindo-o para as mãos daqueles empreendedores que são mais bem-sucedidos em satisfazer seus desejos. ”

Ludwig Von Mises

                                                                                                                                      

Essa constante competição entre provedores de bens e serviços termina por fazer com que esses produtos fiquem acessíveis a cada vez mais pessoas, beneficiando principalmente os mais pobres. A concorrência pela satisfação das demandas da população de baixa renda fez com que sua qualidade de vida desse um salto exponencial. E não é difícil perceber isso, olhe ao redor e você verá os pobres com

smartphones, tablets, televisões de plasma, notebooks etc. Nos últimos vinte anos, a pobreza mundial caiu pela metade. Tudo isso proporcionado por empreendedores interessados em nada mais que seus próprios lucros.

Porém, essa constante melhoria na qualidade de vida da população encontra um obstáculo poderoso: o Estado. Enquanto que o livre mercado, graças ao sistema de preços, aloca recursos e investimentos de uma maneira que atenda a satisfação dos consumidores para a continuidade e aumento do lucro, o governo apenas destrói a riqueza que rouba de seus cidadãos. Devido a não funcionar sob a lógica do sistema de lucros e prejuízos, e de sua péssima capacidade reconhecer demandas, o Estado é totalmente ineficiente em produção de bens e serviços, o que transforma todas as suas decisões em meras arbitrariedades.

Isso é facilmente reconhecível quando analisamos a evolução da qualidade dos bens e serviços prestados pela iniciativa privada em comparação com os prestados pelo Estado. Enquanto a população tem acesso a Tevês, Geladeiras, Home Theaters e computadores com cada vez mais qualidade e menor preço, esses mesmos cidadãos continuam sofrendo com falta de segurança, educação e saúde precárias, e um saneamento básico quase inexistente. Isso ocorre porque o Estado não precisa satisfazer as necessidades de sua população para se financiar, pois seu sustento vem dos impostos, que você tem que pagar mesmo sem receber nenhum bem ou serviço de qualidade em troca. E como o Estado é um monopólio, não há outras opções para os insatisfeitos com os serviços prestados a não ser se mudar para uma nação onde o governo seja (um pouco) menos ineficiente. O pobre não tem essa opção.

Quanto mais intervencionista o Estado é, mais dificultosa é a vida dos empreendedores. As regulações e burocracias estatais servem apenas para beneficiar grupos de interesse à custa dos impostos de toda a população. A interferência governamental no mercado cria dificuldades para os que querem investir em um setor, beneficiando os que lá já estão estabelecidos, poupando-lhes da concorrência e desincentivando a melhoria dos produtos oferecidos. A burocracia é apenas uma forma dos agentes estatais se beneficiarem, visto que as dificuldades são criadas com o único intuito de vender facilidades. Por isso que governos inchados (como o do Brasil) têm a corrupção enraizada em todos os níveis administrativos.

                                                                     

“ Por exemplo, não é incomum que grandes empresas façam lobby para criar regulamentações complicadas e onerosas sobre seu próprio setor. Por que elas fazem isso? Para dificultar uma potencial concorrência de empresas novas, pequenas e com pouco capital. Empresas grandes e já estabelecidas têm mais capacidade e mais recursos para atender regulações minuciosas e onerosas. Empresas pequenas, que querem entrar naquele mercado, mas que ainda não possuem muitos recursos financeiros, não têm essa capacidade. Empresas grandes podem contratar lobistas (ou podem simplesmente subornar políticos) para elaborar padrões de regulação que elas já atendem ou que podem facilmente atender, mas que são impossíveis de serem atendidos por empresas pequenas e recém-criadas. ”

Hans F. Sennholz e Mark Borkowski no artigo “Os reais beneficiados por um capitalismo regulado”

                                                                          

Se a livre concorrência entre provedores de bens ou serviços melhora a qualidade e diminui os preços, fazendo que esses produtos se tornem acessivos a parcelas cada vez maiores da população, e o Estado, com suas leis arbitrárias, regulações cínicas e burocracia paralisante inibe essa concorrência, podemos perceber as interferências estatais como maior entrave ao aumento da qualidade de vida da população. As intervenções do governo deturpam a ordem econômica, causando implicações imprevistas e que terminam por prejudicar aqueles a quem propuseram ajudar. Ao desestimular investimentos e taxar abusivamente faturamentos e lucros, dificulta a inovação e precariza o setor produtivo, privando os cidadãos de terem produtos melhores e mais baratos.

Após todas essas constatações, não é difícil chegar conclusão de que o vilão dessa história não sãos os patrões, burgueses ou uma outra classe abstrata criada para fomentar discursos ideológicos. O maior inimigo dos pobres é o Estado. Suas ações agravam os problemas sociais e penalizam os desprovidos. Para seu próprio bem, a população precisar a abraçar a liberdade e lutar pela dissolução do controle governamental sobre a economia. O Estado é o parasitismo institucionalizado, a depredação do patrimônio alheio e isso precisa acabar imediatamente. Os pobres agradecem.


 

Artur Fonseca é acadêmico de Direito, coordenador estadual dos Estudantes pela Liberdade/AM e faz parte do conselho administrativo do Clube Ajuricaba.

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