A prática da Democracia

por Victor Vicente

 

wpid-imagem237_1.jpgVá a qualquer reunião de condomínio. De preferência, naquelas que envolvam alguma votação. Observe o modo como as pessoas agem. Fatalmente, alguém irá sugerir alguma pauta que demande aumento do orçamento.

Alguém dirá “precisamos de um playground para as crianças!”, e eu seria capaz de apostar que essa pessoa tem filhos. A pretensão será rechaçada. Dirão os que não têm crianças em casa que a construção de parquinhos implicará em um gasto desnecessário, enquanto os com filhos dirão que é um “investimento” e que “precisamos pensar nas nossas crianças”.

O tema dos animais volta à tona. A moça que estuda noite e dia para prestar concurso diz que animais fazem muito barulho. A senhora dos gatos dirá que nem todos os animais são problema, apenas aqueles que latem e defecam no terraço. O rapaz dono daquele pitbull dirá que animais são ótimos amigos, que falta consideração pelos outros e que seu amigão canino jamais atrapalhou alguém. A senhora dos gatos lembrará que o cão já atacou dois de seus gatos.

As jovens amigas que dividem o apto. 12 irão sugerir a construção de uma piscina. O dono do pitbull pensa que uma academia é mais urgente. Já a dona de casa da cobertura, mulher do executivo que vive viajando, dirá que a verba seria melhor investida em um aumento dos salários dos porteiros.

Todos os condôminos pensarão que os outros são egoístas. Todos tentam aprovar projetos em benefício próprio com a verba de todos, ainda que nem todos usem. Consideram suas próprias propostas mais urgentes e adequadas.

Se você não mora em um condomínio, não tem problema. Sintonize na TV Senado e verá as mesmas reclamações sobre pensar no bem coletivo e as mesmas tentativas de usar recursos alheios em proveito de projetos de interesse pessoal.

A democracia não funciona nem em um mísero condomínio, onde as pessoas se conhecem e possuem características em comum. Como poderia funcionar em um país inteiro?


 

 

Victor Vicente é coordenador do EPL, estudante de Direito (PUC-SP) e anarcocapitalista pelo simples fato de não desejar controlar os outros.

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