Por que todo estado é um destruidor de riquezas

por Bruno Cavalcante

Neste artigo pretendo demonstrar em poucas linhas como o estado destrói a riqueza e desperdiça recursos escassos. É importante deixar claro desde o início, que mesmo que as falhas apresentadas na lógica estatal fossem de alguma forma superadas, os estatistas ainda teriam que refutar os argumentos e éticos irrefutáveis nos quais se baseia o anarcocapitalismo.

Para dar início, precisamos ter em mente o axioma da ação: A ação é uma escolha proposital entre opções, o homem age, o homem age com o intuito de diminuir o seu desconforto. Este axioma é irrefutável, qualquer tentativa de argumentar será uma ação e como tal seguirá as premissas ditas.

Dito isto, podemos supor que se um agente terá que abrir mão de uma parte dos seus bens, irá abrir mão dos bens que menos valora. O valor que cada agente atribui aos seus bens é determinado por uma escala ordinal e é baseado na intensidade/capacidade que cada um tem de lhe possibilitar conforto naquele momento. Há dentro de cada agente em cada lugar no tempo uma escala de valores sobre os bens que lhe podem ser usados como meio para uma situação de maior conforto.

Por exemplo, um agente tem 6 unidades de A e 4 unidades de B, e precisa escolher entre os dois tipos de bens, a sua escala de valores em determinado momento é demonstrada a seguir:

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Se esse agente precisa abrir mão de dois bens iguais, é correto supor que irá escolher abrir mão dos bens B e caso tenha que escolher dois bens iguais ou não, irá escolher uma unidade de A e outra de B.

Ou seja, há um valor marginal, o valor da última “unidade”* na escala ordinal de cada bem e isso é determinante em qualquer troca, pois as trocas só ocorrem se os bens que o agente abre mão são valorados de maneira inferior aos bens que se espera receber no processo. Uma pessoa ao escolher trabalhar está abrindo mão do seu lazer, se irá trabalhar 8 horas diárias, irá abrir mão das horas que menos valora em troca de um salário que permitirá comprar bens no mercado, que logicamente valem mais do que os usos do produto que renunciou com a ação.

Se algum produto está no mercado e vale mais do que todos os usos possíveis para determinada quantidade de dinheiro de determinado agente, esse produto é vendido. Caso o agente não escolha comprar esse produto, isso significa que subjetivamente ele vale menos do que outro uso que pode ser feito com o dinheiro.

Quando o estado obriga um agente a pagar pelos serviços que ele presta, ele está assumindo que o valor do bens e serviços que ele oferta valem menos do que outras necessidades humanas, e quando a sonegação surge, isto é uma demonstração clara de que de fato há bens mais urgentes a serem consumidos, e eles valem inclusive mais do que os custos incorridos ao risco de ser preso ou processado pelo estado. Ou seja, quando uma empresa obtém esse “direito” de cobrar compulsoriamente pelos serviços que presta, isso significa que há uma destruição da riqueza de toda a sociedade ao seu redor, que mesmo tendo “muito dinheiro disponível” ainda não valora aqueles produtos mais do que a menor unidade* do seu dinheiro, e que em alguns lugares como o Brasil, já ultrapassa 1/3 de todo o valor produzido.

Isso quer dizer que mais de 1/3 do valor produzido no Brasil é direcionado para áreas que valem menos do que esse 1/3, ou seja, uma destruição do valor e uma queda clara na qualidade de vida se compararmos com uma situação onde não exista agressão institucionalizada e nem coerção para o “pagamento” de bens e serviços. Tudo isso está de acordo com o axioma da ação humana, que por uma questão lógica é irrefutável.

 

* Como unidade pretendo dizer determinada quantidade de bens que juntos ocupam a mesma posição na escala de valores.


Bruno Cavalcante é estudante de economia na PUC-SP e anarcocapitalista.

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