Como a livre imigração poderia alavancar a economia

por Corey Iacono

 

Grandes pensadores libertários, como Milton Friedman e Ludwig von Mises, acreditavam que o livre movimento de pessoas (trabalho) através das fronteiras é desejável da mesma forma que o livre comércio de bens e capital é desejável.

Ambos, trabalho e capital, não devem ser impedidos de serem realocados para áreas em que são utilizados de maneira mais produtiva. Como Mises escreveu em seu influente livro Liberalismo, “Não pode haver a menor dúvida de que as barreiras à migração reduzem a produtividade do trabalho humano.”.

Para ilustrar esse ponto, considere as diferenças em produtividade entre os Estados Unidos e o México.

Os Estados Unidos é muito mais produtivo que o México e, desta forma, os americanos são cinco vezes mais ricos que os mexicanos.

Não é apenas que os Estados Unidos tem trabalhadores melhores educados e mais capacitados, embora isso seja verdade. Ao invés disso, o capital, as instituições, e a infraestrutura tornam os mesmos trabalhadores mais produtivos simplesmente por estarem em um lugar diferente.

Trabalhadores nas mesmas funções irão receber 3,8 vezes mais nos EUA que no México. Trabalhadores iemenitas e nigerianos receberiam cerca de 14 vezes mais nos EUA. Os haitianos receberiam 23 vezes mais.

Você se moveria algumas centenas de milhas por um aumento de 280%? E que tal 2200%?

Por esta razão, muitas pessoas vêm aos Estados Unidos para ter acesso ao capital humano e físico que as tornam mais produtivas e consequentemente mais ricas que estariam se estivessem em seu país natal.

Em um mundo em que o trabalho fosse livre para cruzar fronteiras, esperaria-se uma maior porção da população global residindo e trabalhando em países de alta produtividade, aumentando a renda e produção global dramaticamente.

Muitos estudiosos têm tentado modelar como a renda global se comportaria em um mundo de livre mobilidade do trabalho.

Em uma revisão de literatura, o economista Michael Clemens concluiu que as pesquisas indicam que dar fim as restrições do governo sobre o movimento de trabalho resultaria em um aumento da renda global na ordem de 100%! Isto é, a quantidade total de bens e serviços produzidos no planeta Terra a cada ano, simplesmente iria dobrar.

Em termos reais, isso significaria que a renda global por pessoa aumentaria de US$ 16.100 para algo entre US$ 26.887 e US$ 39.767.

20150608_getwreckedÉ amplamente conhecido que o crescimento econômico reduz a pobreza. Esse gráfico foi produzido pelos economistas David Dollar e Aart Kraay, que descreveram a relação entre o crescimento econômico e aumento de renda dos 40% mais pobres da população em uma amostragem global de cerca de 100 países.

É notavelmente claro nesses dados que o crescimento econômico é a chave para a redução da pobreza global. E se as estimativas dos benefícios das fronteiras abertas estão perto de serem precisas, acabar com as barreiras internacionais à livre imigração é uma das medidas anti-pobreza mais eficientes imagináveis.

Do mesmo modo, eles sugerem que os governos ao redor do mundo estão perpetuando a pobreza ao restringir o movimento de pessoas para dentro e fora dos países. Infelizmente, a liberalização das políticas de imigração não é popular. De acordo com a Pew Research:

A maioria em 22 de 25 nações completamente ou parcialmente concorda com a declaração: “Devemos restringir e controlar a entrada de pessoas em nosso país mais que fazemos agora”.

Enquanto há algumas razões não-econômicas do por que as pessoas possam apoiar mais restrições à imigração, a crença que os imigrantes prejudicam o bem-estar econômico dos nativos certamente tem o seu papel na promoção de políticas restricionistas.

Os oponentes das políticas de imigração aberta, assim como os protecionistas, buscam blindar os trabalhadores nativos da competição estrangeira (na forma de imigração), argumentando que esta política diminuirá os salários e empregos dos nativos.

Na mente do nacionalista econômico, um aumento da oferta de trabalho necessariamente aumenta a competição por trabalhos, reduzindo a probabilidade dos nativos encontrarem emprego, causando diminuição de salários.

Entretanto, esta teoria ignora que o número de “trabalhos” na economia não é fixo, e não conta as formas em que os imigrantes criam empregos para os nativos e contribuem para a prosperidade econômica.

Uma forma que os imigrantes expandem o emprego doméstico é através de seu próprio consumo: eles compram casas, carros, mercadorias, etc. No lado da oferta, os imigrantes podem criar novas oportunidades de emprego ao abrir novos negócios. Nos Estados Unidos, os imigrantes têm 30% maior probabilidade de abrir um negócio que os nativos.

Empiricamente, há pouca evidência que a imigração torna a vida econômica pior para os nativos.

De acordo com o economista Giovanni Peri, os dados mostram que os imigrantes tendem a aumentar a especialização na economia, contribuindo para maiores níveis de produtividade. Isto é, as habilidades dos imigrantes tendem a complementar as dos trabalhadores nativos. Como resultado, os salários reais de nativos tendem a aumentar em resposta à imigração.

De acordo com Peri e seu co-autor:

Ao longo de uma ampla gama de abordagens de configurações e pesquisas, a imigração está associada com maiores salários para a maioria dos trabalhadores nativos, e com maior produtividade, especialmente quando analisando imigração ao longo de áreas geográficas.

Em relação ao efeito da imigração no emprego de nativos, os economistas de Harvard William e Sari Kerr concluiram quea maioria dos estudos encontram pequenas demissões associadas, mesmo depois de um grande fluxo de imigrantes”.

Além disso, um novo trabalho feito por Hong e McLaren concluiu que, nos Estados Unidos, “cada imigrante cria 1,2 empregos locais para trabalhadores locais, a maioria deles indo para trabalhadores nativos”.

Apesar da crença estabelecida que os imigrantes extensivamente usam os benefícios do governo e são um dreno de orçamentos governamentais, os economistas afirmaram que, “na média, os imigrantes parecem ter um efeito fiscal líquido positivo para os países hospedeiros”.

Mesmo países como a Suécia, os imigrantes são um benefício para os orçamentos governamentais. Um estudo recente encontrou que o efeito fiscal líquido da imigração romena e búlgara irrestrita foi “substancialmente positivo” para a Suécia.

No contexto dos Estados Unidos, uma pesquisa concluiu que, historicamente, “os imigrantes e seus descendentes não aumentaram o tamanho dos benefícios de assistência social individuais ou os orçamentos de assistência social e são menos prováveis a fazer isso futuramente”.

Além disso, ao contrário da crença que os imigrantes vem aos Estados Unidos para explorar a generosidade do pagador de impostos americano, dados do Current Population Survey (CPS) mostram que imigrantes pobres usam benefícios públicos em taxas menores que os cidadãos nativos pobres.

Os imigrantes também têm maiores taxas de participação na força de trabalho que os nativos, sugerindo que os estrangeiros vem aos Estados Unidos para trabalhar, e não para usufruir da assistência social.

Imigrantes são mais dispostos a trabalhar

Políticas de imigração isolacionistas não fazem sentido em luz dos enormes benefícios econômicos da livre imigração, e as preocupações sobre o efeito econômico dos imigrantes sobre os nativos têm se mostrado exageradas ou categoricamente contraditas pelas evidências.

Além disso, é eticamente problemático que os nativistas enfatizam a supremacia dos nativos sobre os estrangeiros em primeiro lugar, como se eles não fossem humanos e de igual valor. Isso debilita a noção de direitos humanos iguais de associação e cooperação. Fronteiras fechadas ignoram nosso dever em respeito aos outros.

Tal mentalidade tribalista certamente impede o progresso humano.



Sobre o autor

Graudando na Universidade de Rhode Island onde estuda Ciências Farmacêuticas e Economia. Se tornou liberal através da campanha presidencial de Ron Paul em 2012.

// Tradução de Robson da Silva. Revisão de Ivanildo Terceiro. | Artigo Original

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