Por que o mundo odeia a riqueza?

por Hiago Luiz

Por que toda ideia de lucro e prosperidade remete a um sujeito egoísta, que explora os outros e enriquece as custas disso? Por que chegou-se ao ponto de ver na riqueza uma coisa negativa? Para analisar tais questionamentos é necessário começar com o questionamento mais simples: de onde vem a riqueza?

Um homem rico, que tenha conquistado sua riqueza sem jamais usar da violência contra algum indivíduo, em um sistema de trocas voluntárias, deve ser admirado. Se o mesmo atingiu tal patamar, é porque serviu, de maneira voluntária, aos indivíduos de uma sociedade de forma excelente. A servidão não se dá somente na forma comum da utilização da palavra.

Dois homens, um vendendo sua força de trabalho e o outro pagando por ela, estão servindo-se mutuamente. Dessa forma, o homem que conseguir servir a uma enorme quantidade de indivíduos em uma sociedade, enriquecerá. Essa riqueza será o reflexo do bem que o mesmo fez para os homens a quem serviu e, consequentemente, a sociedade como um todo, fazendo desta, direta ou indiretamente, um lugar melhor para os indivíduos que a habitam.

Esse arranjo é o único no qual a riqueza deve ser alvo de admiração, é o único caso onde a riqueza é merecida pelo seu proprietário; quando a riqueza é conquistada de forma voluntária. Em todo caso onde a violência ou sua ameaça estão presentes na formação dessa riqueza, esta se torna imerecida, imoral e maléfica pra sociedade.

Imagine uma sociedade x em que os homens que governam são honestos e não interferem de forma alguma nas trocas voluntárias que ocorrem. Nesse arranjo, como dito anteriormente, toda riqueza faz da sociedade um lugar melhor, logo, é benéfica para a sociedade como um todo. Agora imaginemos que dentro desse arranjo apareça um político do tipo mais comum que conhecemos, os que acreditam que suas interferências nas trocas voluntárias fazem da sociedade um lugar melhor pra se viver. Esse político convence os indivíduos que é injusto com as empresas locais que uma empresa de outro país conquiste uma parcela do mercado local por apresentar preços mais baixos ou produtos de melhor qualidade. Dessa forma, esse político aprova uma lei que encarece as importações de tal produto e dessa forma estimula a indústria nacional. Não é preciso dizer o quão prejudicial pros clientes é tal ação, já que terão que parar de comprar os produtos importados, que eram mais baratos e melhores, e passarão a pagar um preço maior por um serviço de menor qualidade. Mas o crime maior contra o avanço da sociedade não é esse.

Devemos analisar não somente o impacto econômico que tal mudança acarretará, mas o impacto moral também. Aqueles homem que antes admiravam a riqueza merecida, agora se deparam com um novo tipo de indivíduo rico, aquele que fez lobby com um político influente, ou que somente se aproveitou da ação de um político pra enriquecer. Não importa, nenhum deles enriqueceu por servir os indivíduos melhor que os outros, enriqueceu as custas de benefícios cedidos pela classe política, e é ai que o impacto dessa mudança é extremamente grave. A partir deste momento, os homens, que antes enxergavam o atendimento das demandas dos indivíduos como o único caminho para riqueza, veem um outro caminho, mais curto e menos trabalhoso. Descobrem que podem enriquecer as custas da sociedade, as custas dos indivíduos competentes, e o fazem, porque veem outros alcançado a prosperidade de forma imerecida, e a desejam também. Não mais se preocupam em servir a maior quantidade de indivíduos, mas sim a servir uma nova classe de indivíduos, os políticos, pois os mesmos tem condições de concedê-los privilégios totalmente ilegítimos.

Consequentemente, surge uma nova forma de se alcançar a prosperidade, não mais é necessário produzir e atender demandas, nem tão pouco fazer lobby com burocratas. Tornar-se um deles é a mais nova forma de alcançar a riqueza. As peças mais importantes nesse novo arranjo são quem criam as regulamentações, quem prejudica a sociedade em prol de seus interesses. Essa classe tende a deter cada vez mais e mais poder, congestionando todo o sistema de livre comércio e retirando da sociedade para distribuir riquezas imerecidas.

Dessa forma, não é difícil deduzir porque hoje vemos uma associação tão negativa com a palavra enriquecimento. A riqueza imerecida é o tipo mais comum. O livre comércio há muito foi sufocado, quem rege a economia não mais são os indivíduos, os novos senhores a serem servidos são os que ameaçam com violência, os que espoliam a todo o resto. Enquanto esse for o arranjo geral da sociedade, os discursos contra a prosperidade serão cada vez mais comuns. A prosperidade é a cada dia mais marginalizada, e a riqueza já é associada ao “egoísmo” e a maldade. É necessário desobstruir as tão sufocadas livres trocas entre os indivíduos, para que os homens almejem servir a toda uma sociedade, e não mais a um seleto grupo de homens que distribuem riqueza a quem os corrompe as custas de pobreza para todo o resto.


Hiago luiz é estudante de economia da UFRJ, cordenador local do EPL e anarcocapitalista.

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