Afinal, por que tudo é mais caro no Brasil?

por Fernando Alves

wpid-11219330_985471091474366_4641687988089507772_n.jpgQuem já viajou para o exterior deve ter uma boa visão de como os bens de consumo são mais caros por aqui. Isso se deve, primeiramente, à falta de boa vontade do governo brasileiro e sua política nacionalista que prefere se fechar para o resto do mundo com a desculpa de proteger a industrial nacional. Só para você ter uma ideia, recentemente o país obteve êxito em dar mais um passo para traz quando 80 países fecharam na OMC (Organização Mundial do Comércio) um acordo de eliminação de tarifas no comércio internacional de produtos de tecnologia da informação. Esses países respondem por 97% do comercio mundial no setor, que movimenta quatro trilhões de dólares por ano. [1] O anão diplomático, claro, ficou de fora, pois se recusa a fazer parte do acordo. O que se esperar de um governo que coloca um comunista como ministro da ciência e tecnologia?

Mas vamos começar por um assunto ainda mais discutido no Brasil que exemplifica bem as coisas e me permite atacar todos os lados: o preço dos automóveis.

As montadoras brasileiras tratam as informações com um sigilo imenso, sendo assim, as informações que chegam ao público são obscuras e não muito precisas, mas são as seguintes: em 2009 uma montadora chinesa queria vir para o Brasil e construir uma fábrica. Seu carro completo sairia pela metade de um carro popular que as montadoras nacionais produzem no país. As empresas WV, Ford, Chevrolet e a Fiat então se reuniram com representantes do governo em uma cúpula extremamente secreta na qual foi negociado com os representantes do governo uma forma de barrar a entrada de novos concorrentes com a justificativa de proteger o trabalhador nacional, pois segundo eles, a entrada de novos concorrentes causaria uma queda de produção nas montadoras e consequentemente desempregaria milhares de trabalhadores. O presidente dessa cúpula teria sido Cledorvino Belini, atual presidente do Grupo Fiat Chrysler para a América Latina. Tudo foi feito com muito sigilo, mas os próprios trabalhadores da montadora confirmam o boato.

O restante da história já é conhecido, nos anos seguintes o governo brasileiro subiu o imposto dos carros importados para até 55% e obrigou que os carros produzidos no país tivessem até 65% de peças e partes produzidas por aqui. [2] O que fez a concorrência diminuir (para felicidade das montadoras nacionais). Outras desistiram de importar ou produzir seus automóveis no Brasil.

Esses impostos fizeram com que os carros brasileiros chegassem a custar até 93,5% mais caros que no restante do mundo. [3] Como gosta de dizer o ex-presidente Lula, “O pobre agora pode comprar carro novo”. Só que não.

Com o Brasil em crise, calcula-se que desde abril do ano passado (2014), as montadoras já fecharam mais de 14 mil postos de trabalho. [4] Este ano (2015), de acordo com dados da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), já são quase 5 mil demissões. [5] Assim, é possível comprovar o sucesso das medidas protecionistas do governo. Não bastando à gorda margem de lucro escondida a sete chaves pelas montadoras (que pode chegar a ser três vezes maior que a média mundial), e a proteção do estado ao oligopólio automotivo, ainda temos que suportar a extensa lista de impostos como IPI, ICMS, PIS e COFINS.

Isso é Brasil, um paraíso para as megacorporações. Mas não podemos esquecer o principal problema causador de tudo isso: você. Todos esses impostos e todo esse protecionismo só existem porque o cidadão brasileiro permite. Isso não vale apenas para o preço dos automóveis, mas também para todo o resto. Enquanto o consumidor estiver disposto a pagar por este preço, será este preço.

Não é a toa que quase tudo no Brasil é mais caro. No México e EUA o preço de um automóvel chega a custar de duas a três vezes menos do que é vendido no Brasil, dependendo se for importado. Somos tão apaixonados por carro que aceitamos pagar por três e levar um. Poderia dizer que esta comparação deveria ficar apenas entre o Brasil e o México, porque nos EUA as montadoras não vendem as mesmas carroças que são produzidas por aqui.

Outro exemplo: O IPVA que é um imposto calculado baseando-se no valor do carro, custa em media cerca de R$ 1.400,00 no Brasil, contra apenas US$ 45,00 nos EUA. Uma carteira de motorista nos EUA custa cerca de US$ 38,00. No Brasil esta soma pode chegar a R$ 1.500,00 contando todas as taxas que precisam ser pagas ao longo do processo. A legislação e o sistema nacional de transito acabam criando uma burocracia estatal e encarecendo o serviço a um ponto que beira ao absurdo. [6] É sempre uma piada ouvir no exterior que o Brasil é, e sempre será o país do futuro, mas ele não precisa ser o país do futuro, porque ele precisa urgentemente ser o país do presente.

Além dos interesses das montadoras nacionais protegidas pelo estado podemos analisar esta terceira causa como sendo a que tem maior responsabilidade nessa espoliação; o próprio consumidor brasileiro. No Brasil acontece o que alguns economistas chamam de “cultura de se fazer de otário”: para ser bom precisa ser caro. Se for muito barato, ninguém compra. Dando um exemplo, algumas empresas compram camisas de marca nos Estados Unidos por US$ 20,00 dólares e revendem no Brasil por R$ 300,00 reais porque se fossem revendidas ao preço referente de R$ 60,00 reais (cotação atual) o público alvo com maior poder aquisitivo não compraria.

Outros exemplos:
• As universidades brasileiras também escondem essa informação, mas os cursos oferecidos poderiam ser mais baratos, mas por achar que um preço menor, poderia espantar consumidores que atrelariam o baixo preço a uma baixa qualidade ele acaba sendo elevado.
• O mesmo pode acontecer com os serviços oferecidos. Pela cultura nacional, uma empresa de consultoria que ofereça um serviço mais caro, passa um prestigio maior do que as outras com preço mais em conta, mesmo que tenha uma qualidade inferior.

Isso não é algo inventado por mim, os próprios profissionais com os quais eu conversei me confirmaram essa informação. Se existe demanda a este preço, a oferta responderá da mesma maneira.

Sabemos que muitas pessoas se preocupam com seu status social, afinal, faz parte da cultura do brasileiro, por isso não se importam em pagar mais caro, mas se não fosse por esta falsa sensação de status, poderíamos estar usufruindo de algo infinitamente melhor.

O que os consumidores poderiam fazer para reverter essa situação? Em curto prazo, exigir do governo a redução de impostos abusivos, burocracia, legislação trabalhista e políticas protecionistas, dos altos custos de produção, o fim das frequentes intervenções na economia. Exigir o fim dessa nociva parceria público/privada, estado/corporações. Assim, o mercado se tornaria mais livre e competitivo, o que permitiria a entrada de novos concorrentes, reduzindo os custos e baixando os preços. E principalmente, criar vergonha e parar de eleger políticos populistas que prometerem proteger o trabalhador e dar tudo de graça se forem eleitos, pois afinal: tudo isso é mentira; essas políticas são ineficientes; e nada é de graça. Além de aprender a boicotar produtos com preços abusivos, forçando os empresários a praticarem preços menores. Tudo ficaria tão diferente que o país talvez até precisasse mudar de nome.


Fernando Alves é estudante de administração e colunista do portal Anarcocapitalismo. Escreve artigos sobre economia, política e sociedade para blogs e sites liberais e libertários.

FONTES:

[1] – http://www1.folha.uol.com.br/…/1657798-acordo-eliminara-tar…
[2] – http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=73204
[3] – http://www.car.blog.br/…/impostos-fazem-carros-brasileiros.…
[4] – http://www.diariosp.com.br/…/montadoras-demitem-14-mil-em-a…
[5] – ANFAVEA (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) http://www.anfavea.com.br/
[6] – http://www.terremoto.com.br/o-custo-de-se-ter-carro-nos-eua/

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