Uma breve história sobre a pobreza

por Hiago Luiz


wpid-13114732855_b41144d076_o.jpgA pobreza, sem dúvida alguma, é um dos maiores problemas do nosso país. Está por todo lado, dos grandes centros ao interior das cidades. Por ser algo em tanta evidência no dia a dia da sociedade, diversas são as teorias sobre a sua origem. Porém, não será essa a questão central do texto. Iremos, não buscar a origem da pobreza, mas sim buscar uma forma de mudar essa situação. Devemos tentar responder a uma questão fundamental sobre o assunto: qual a forma mais eficiente de se lutar contra a pobreza?

Existe hoje em nossa sociedade uma gigante instituição, a qual alega ser a protagonista na luta contra a pobreza. Tal instituição é a mesma a enviar suas tropas que atuam de forma absurdamente violenta contra os pobres. Os mesmos que ela alega estar ajudando. Essa instituição tão contraditória responde pelo nome de estado.

Muitos dizem que a relação do Estado com o pobre pode ser exemplificada com a seguinte analogia: “O Estado é aquela pessoa que quebra sua perna. Te vende uma cadeira de rodas. Impõe determinadas restrições para o uso da cadeira de rodas. E depois diz que se não fosse por ele, você não estaria andando.” Agora, por que essa analogia é totalmente coerente com a nossa realidade?

Imagine o personagem Joãozinho. Joãozinho é um menino de família pobre. Seus pais, na década de 90, investiram fortemente para abrir um curso de datilografia. Dez anos depois, estavam na pobreza total. Joãozinho nasceu nesse período. Seus pais, muito dedicados, faziam o que podiam pra sustentar Joãozinho, mas não conseguiam chegar a uma condição além da mera sobrevivência. Joãozinho, com 12 anos, decide então, trabalhar para ajudar em casa. O dono da padaria, Seu Carlos, decide contratar Joãozinho para limpar a padaria. Ele lhe paga 300 reais por mês e alguns pães pra sua família por dia. Com isso, não precisa mais fechar a padaria uma hora mais cedo pra executar a limpeza. Ganha mais uma hora de trabalho, e, consequentemente, mais dinheiro. Investe em mais maquinário e bota o Joãozinho, agora por 500 reais ao mês, para entregar pães na vizinhança. Contratar Pedrinho para a limpeza o fez começar a ganhar mais e mais dinheiro.

Seu Carlos abre outra filial da padaria e coloca Joãozinho como supervisor desta, pois o mesmo esta há anos trabalhando na antiga e conhece o jeito de trabalhar de seu Carlos. Joãozinho agora já é um homem, tem uma mulher e vai ter um filho, o qual terá uma condição de vida muito melhor do que Joãozinho teve. Pedrinho segue o mesmo caminho do pai, e, passa a cada vez mais, melhorar a condição de sua família.

Não precisamos dizer que isso não passa de uma fantasia. No mundo real, tal absurdo jamais aconteceria. Seu Carlos jamais contrataria Joãozinho. O salário mínimo mais os encargos trabalhistas não permitem que o faça sem prejuízo. Se o fizesse, teria que ser escondido, pois Joãozinho é menor de idade. Qualquer fiscalização acarretaria em enormes prejuízos para seu Carlos. Seu Carlos continuou com sua padaria o quanto deu, até que os enormes impostos do benevolente Estado o fizeram fechar as portas. É isso que o estado faz: inibe a livre iniciativa. Doa a quem doer, sem se importar com as famílias que ele destrói, sem se importar com as vidas que ele acaba fadando à miséria.

Ah, já ia me esquecendo quanto ao Pedrinho e ao Joãozinho. O fim deles vocês já sabem: impedidos de trabalhar e vendo sua família passar fome em casa. Sendo impossibilitados de trabalhar para mudar isso. Joãozinhos e Pedrinhos não faltam pra servirem de exemplos, os vemos nos jornais toda hora. Os vemos deitados embaixo das pontes, amarrados aos postes… Isso quando os vemos.

Portanto, a ideia que o estado prega para nós de que ele vem ajudando cada vez mais aos pobres é totalmente inverídica. Enquanto o estado impedir as pessoas de fazerem livres trocas, enquanto não parar de quebrar as pernas de toda uma sociedade, a pobreza vai ser a realidade de uma esmagadora quantidade de pessoas. Enquanto o estado estiver impedindo o pobre de trabalhar, Pedrinhos e Joãozinhos embaixo de pontes serão a regra, e não a exceção.


Hiago luiz é estudante de economia da UFRJ, cordenador local do EPL e anarcocapitalista.

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