O fim dos campos de concentração chineses e porque nunca soubemos da sua existência

 

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Por Rachel Burger

Depois de estudar intensivamente as relações sino-americanas no período posterior à II Guerra Mundial, eu encontrei o termo “laogai” (劳改) somente muitos anos após ter completado minha graduação. Eu estava completando meus anos de interna no Institute of World Politics e meu chefe decidiu levar os internos para uma viagem educacional ao Museu Laogai depois de visitarmos oMuseu do Holocausto. O museu está localizado no Dupont Circle em Washington, quase imperceptível ao menos que você esteja efetivamente procurando por ele, contudo, ele expõe uma das maiores devastações na história da humanidade dentro do milênio passado: os campos de concentração chineses.

Os Estados Unidos não reconheciam a existência desses campos até recentemente. Enquanto toda a mídia tenha focado no abrandamento da política chinesa de “filho único”, eu acredito que deveria haver um foco maior no porquê mais norte-americanos não saberem o que é “laogai” e o que o fim desses campos significa para o mundo.

Laogai significa “transformação através do trabalho”. Refere-se ao sistema de campos de concentração fundados durante a Revolução Cultural. Estima-se que 27 milhões de pessoasmorreram nesses campos – em grande parte devido à fome – no decorrer dos últimos 60 anos. A maioria dos prisioneiros eram críticos do Comunismo, pessoas que perturbavam a “paz pública”, proprietários de negócios, minorias religiosas, minorias éticas, ou membros de famílias que se encaixavam nas categorias anteriores. Tão logo Deng Xiaoping começou a abrir a economia chinesa, o governo chinês começou a usar esses campos para aumentar suas receitas. Sem saber, muitos norte-americanos são consumidores de produtos fabricados por aquele regime, por exemplo,grande parte dos chás chineses.

A boa notícia é que a China abertamente anunciou que aboliria o regime laogai na semana passada. Muitos duvidam da sinceridade desse ato. O Wall Street Journal afirma que, “os campos de reeducação podem reabrir sob novos nomes…as autoridades [tem] criado uma rede de ‘cadeias negras’, centros de detenção ilegais onde todos os mesmos tipos de abusos são cometidos”.

Okay, as notícias sobre o laogai podem não ser tão boas, o que pede algumas perguntas:

Por que a maioria dos norte-americanos nunca ouviu falar antes deles?

O que poderia ter acontecido se fossem melhor informados?

O Laogai, tristemente, exibe o lado mais negro das relações internacionais. Enquanto os norte-americanos estão totalmente cientes das atrocidades cometidas na Coréia do Norte, a mídia pouco divulgou esses acontecimentos na China, mesmo que o Laogai seja responsável por um numero muito superior de mortes. A realidade é que mesmo se estivéssemos cientes do laogai, não haveria nada que nós, o povo, ou nosso governo poderia ter feito a respeito. Uma guerra contra a China é muito arriscada e cara, e necessitamos que sejam nossos amigos, muito mais do que necessitamos acabar com seus abusos aos direitos humanos.

O que o Laogai nos ensina é que a política externa do governo dos Estados Unidos age por ganância, não em prol do bem comum. A ganância, enquanto obscura e frequentemente desconfortável, é sempre honesta. É muito mais fácil ter isso em mente quando tratamos de política externa com um público desinformado do que com uma maioria ativista. A mídia não informou sobre o laogai porque nossas mãos estão atadas, nada mais. “Nunca mais” é bobagem quando um guerra nuclear estaria em jogo.

O mundo deveria celebrar o fim do laogai. O Partido Comunista Chinês é líder de um regime autoritário e opressor que controla 1.351 bilhão dos habitantes da Terra. Assim que os chineses começarem a ter mais filhos (10 milhões adicionais no decorrer dos próximos cinco anos, se as estimativas estiverem corretas), mais pessoas terão a oportunidade de lutar pela liberdade na China se desejarem, sem medo da escravidão em pleno século XXI. É claro, o WSJ pode estar correto em sua avaliação: laogai pode reaparecer com um novo nome. Por agora, é uma vitória para a liberdade. Para nós, do outro lado do Pacífico, o laogai pode servir como um lembrete que às vezes nós não conseguimos ajudar os necessitados, e que, às vezes, saber mais não poderá ajudar a melhorar uma situação que está ocorrendo no exterior.

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