“Trabalhadores isolados são muito fracos para barganhar junto às empresas…”

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Por Austroanarquistas

Esse clichê foi publicado recentemente na mídia impressa mais ou menos como segue: a deficiência óbvia da teoria do laissez-faire foi que um trabalhador isolado, com suas obrigações familiares e sua falta de mobilidade para procurar emprego, não tinha igual poder de barganha junto as cada vez mais centralizadas indústrias.

Não existe, provavelmente, concepção errônea que é mais universalmente aceita hoje ou mais devastadora em suas consequências. E nenhum conceito popular poderia estar mais incorreto. Essa crença está no cerne das duas maiores ameaças ao futuro de nossa economia e à prosperidade de todos: o desemprego e a inflação.

A inadequada preocupação em relação ao poder de barganha do indivíduo é responsável pelo uso agressivo de força e coerção que aumenta os salários em certas áreas acima das taxas do mercado. Tal fato gera restrição as oportunidades de emprego do que iria vigorar em um livre mercado em tais áreas. Ao mesmo tempo, causa justamente a rigidez nos salários que torna os ajustes impossíveis e o desemprego permanente.

Explicando de outra forma: os salários são elevados a um patamar muito alto para que todos sejam contratados. Por causa das atividades sindicais, os indivíduos não são livres para disputar salários mais baixos nos lugares e quantidades exatos de forma que exatamente tais homens que precisam dos empregos obtenham-nos rapidamente. Em consequência, o governo invariavelmente recorre a um método enganoso de redução dos salários reais – a inflação – fazendo com que o dinheiro valha menos.

Embora tais táticas possam eventualmente cumprir até certo ponto o objetivo desejado, o método é, na melhor das hipóteses, incrivelmente impróprio, ineficiente e inadequado. Na pior, pode levar a aumentos catastróficos na oferta de moeda, e depois para um clamor de uma ditadura que “organize as coisas”. Aconteceu em outras épocas.

Se obrigações familiares e falta de mobilidade enfraquecem o poder de barganha de um individuo, é difícil entender como o aumento do tamanho de uma empresa não enfraqueceria seu poder de barganha, dado que seu aumento de tamanho pareceria aumentar ambas as suas obrigações e sua imobilidade. Na verdade, a imobilidade sempre é um problema maior para o empregador com sua planta e equipamento do que para o empregado mediano.

A figura do “individuo frágil” barganhando com a “corporação poderosa” é falsa em todas as suas implicações. A promoção do poder sindical sobre os empregados enfraquece os direitos e as alternativas do “individuo” até se tornar praticamente nulos, em vez de aumentar, seu verdadeiro poder de barganha. Quando a competição por empregos é livre, um indivíduo tem a chance de encontrar o melhor nicho possível para si próprio dentro da grande matriz industrial. Mas quando os sindicatos bloqueiam a sua livre resposta às oportunidades, e o retém no seu trabalho atual com ameaça de perda dos seus direitos por permanecer muito tempo na empresa, continuando a ser prejudicado.

Os indivíduos, que são livres para seguir suas próprias ideias, trocando de uma empresa para outra, possuem um poder irresistível frente aos empregadores. Como poderia qualquer empregador manter qualquer funcionário sem prover um salário e condições de trabalho as quais, na opinião do funcionário, são as melhores atingíveis?

Outro exemplo excelente de indivíduos “frágeis” barganhando com “corporações poderosas” é aquele da dona de casa lidando com “grandes redes de supermercados”. Ela organiza, marcha em grupo, demanda e faz um piquete? Claro que não! Como um indivíduo, ela vai de mercado em mercado, selecionando o que ela considera ser as melhores ofertas. Pela mágica de seu discernimento, ela derrota esses gigantes onde o lucro líquido ganho pelos supermercados é de um centavo por dólar.

Parece simplesmente bom senso dar atenção especial às vantagens reais e vitais do livre mercado para o “pequeno indivíduo” antes de recorrer às totalmente ilusórias vantagens da força

A conclusão inescapável deve ser que tanto “pequeno” quanto “grande” recebem maior recompensa e proteção ao seu bem-estar social e econômico quando vigora a completa liberdade de barganha individual do que jamais poderia obter por meio do uso da força. O fato importante a ser lembrado sobre a força sindical é que é direcionada, fundamentalmente, não contra o empregador, mas contra outros competidores potenciais no mercado de trabalho – outros trabalhadores. Pois como os salários poderiam aumentar acima do nível de livre mercado a não ser pela limitação da competição – isto é, mantendo alguém de fora? É sempre esse “alguém” que é a mais fraca e patética vítima da violência e da coerção pela qual os sindicatos obtêm seus objetivos.

Como pode o laissez-faire ser tão ruim, quando tudo o que ele significa é: mantenha a força arbitrária, física e coerciva fora do mercado.

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