Sobre estado e o Machismo

por Hiago Luiz

Feminismo e capitalismo, no contexto em que vivemos, são considerados inimigos. A luta por uma sociedade mais igualitária, aparentemente foi monopolizada pela esquerda, que erroneamente julga os princípios libertários como incompatíveis com a causa. Será mesmo que a luta contra o machismo tem de partir da esquerda?

wpid-images-2.jpg.jpegImagine uma sociedade onde os indivíduos não podem se vestir com determinadas roupas, pois, se assim fizerem, terão sua integridade física ameaçada. Imagine
que esses indivíduos são constantemente ameaçados ao caminhar pelas ruas, e isso se dá de forma rotineira. Imagine que diversas instituições da sociedade, como as igrejas e as escolas, perpetuem isso tudo. E por último, imagine que esses indivíduos, violentados diariamente, sejam ensinados que eles, as vítimas, são os culpados e que, se não queriam sofrer ameaças não deveriam estar andando sozinhos tão tarde da noite. Que por estarem usando determinada roupa legitimaram a agressão.

É, poderia ser uma construção imaginária onde um governo extremamente autoritário assumiu o poder, mas não é. Infelizmente, esse pequeno trecho é uma realidade para incontáveis mulheres no mundo inteiro. Historicamente subjugadas, os resquícios do passado não aparecem como um fantasma, uma assombração que vem somente relembrar algo que jaz enterrado há muito. O passado toma forma e é mais atual e cruel do que gostaríamos de admitir, é permeado na menina que não pode brincar com a bola, nas inúmeras vezes em que é lembrada de “se dar o respeito” a cada saída de casa. Mas que respeito é esse que elas precisam se dar? Se submeter as regras de uma sociedade machista para não terem seu corpo, sua autopropriedade, sua dignidade, violentadas por alguém? É essa a mentalidade que sustenta a cultura machista. E é essa também, a mentalidade que sustenta o estado.

A violência, em ambos os casos, é legitimada por uma maioria. Os errados se tornam os que reclamam. A culpabilização da vítima também assola ambos os casos, os que se põe contra a pilhagem estatal, e sonegam impostos, são os “corruptos”. As mulheres que, indignadas com a violência, protestam contra esse sistema são as radicais, são as que “envergonham” todas as outras.

É de extrema importância separarmos bem as causas e as consequências desse sistema. As consequências são bem claras: violência cotidiana, estrutural e cerceamento de liberdade, são termos que sintetizam bem a situação vivida. Essas são as consequências da cultura machista, e, medidas punitivas para com essas consequências são como um alívio nos sintomas, passam longe de sanar o problema. Com isso, muitos perguntam: “Mas se uma pessoa reproduzindo comportamento machista não pode ser punida, como poderemos resolver de vez esse problema?”. Bom, esse questionamento tem dois pontos importantes a serem levantados. Primeiramente, sim, uma pessoa pode ser punida por comportamento machista, essa punição só não pode se dar pelo uso da força. Boicotes sociais e exposição de seus equívocos, são algumas dessas punições. O segundo está intimamente ligado ao primeiro, que é o outro questionamento: “A reação, limitada ao campo das ideias, pode realmente ser efetiva?” A resposta não pode ser outra que não sim, como disse o grande economista austríaco, Ludwig von Mises: “A história da humanidade é a história das idéias.” Enquanto o pensamento da maioria da sociedade for machista, essa cultura terá pilares para se sustentar. Só a propagação de ideias de liberdade farão esses pilares, um a um, caírem por terra, a divulgação dessas ideias é a arma mais eficiente que podemos ter. Ideias, e somente ideias destruirão diretamente a sustentação desse cruel sistema.

Assim sendo, não podemos de forma alguma, desassociar a busca pela liberdade dá luta contra o machismo. Se lutamos por liberdade, plena e irrestrita, então devemos lutar contra esse sistema. Não existe justiça em “meia liberdade”; ou somos livres ou não somos. Se o estado mantém acorrentados nós homens, a cultura machista e o estado, juntamente, o fazem com incontáveis mulheres ao redor do mundo. E como bem disse, Sara Moore em seu livro Cartas sobre a igualdade dos sexos: “Eu não peço favores para o meu sexo. Eu não renuncio à nossa reivindicação de igualdade. Tudo que eu peço de nossos irmãos é que eles tirem seus pés de nossos pescoços e nos permitam ficar de pé sobre o chão que Deus nos destinou a ocupar”.

Não podemos jamais passar indiferentes a essa luta se a liberdade é a nossa meta. Enquanto o machismo não retirar o pé do pescoço de suas vítimas não teremos liberdade, não teremos justiça. Estado e machismo são faces da mesma violência. Sendo assim, a revolução tem de ser, necessariamente, anti-machista. Ou revolução não será.


Hiago luiz é estudante de economia da UFRJ, cordenador local do EPL e anarcocapitalista.

Anúncios

2 comentários sobre “Sobre estado e o Machismo

  1. Pingback: Sobre estado e o Machismo | Estudantes Pela Liberdade

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s