Como saberemos que vencemos

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Por Lawrence Reed

Será que estamos vencendo?

Essa é uma pergunta que ouço muito quando falo a uma plateia sobre liberdade e a batalha de ideias. Todos querem saber se devemos estar otimistas ou preocupados com o curso dos eventos, como se o veredito devesse determinar se devemos ou não continuar a lutar. Um número grande demais de amigos da liberdade se apoia na tendência predominante para lhes dizer se devem, o quanto e como proceder – e até mesmo como devem se sentir a respeito da batalha de ideias em qualquer momento.

Pessoalmente, escolho uma abordagem de longo prazo, otimista e moderada que não depende do resto do mundo. Precisamos fazer de tudo para promover a causa e depois deixar que os frutos caiam onde for, nos confortando com o fato de que fizemos o nosso melhor como indivíduos, independentemente do resultado. Além disso, permaneço extremamente confiante de que, como o presidente da Foundation for Economic Education (FEE), Leonard Read, observou, “a verdade se revelará” e a liberdade triunfará porque é o certo. O pessimismo é, de qualquer maneira, uma droga viciante, então não a deixo entrar na minha mente.

Mas isso levanta uma questão ainda mais importante, perguntada a mim recentemente quando citei tendências intelectuais poderosas como evidência de que estamos realmente vencendo. A pergunta foi: Como saberemos que vencemos?

No sentido amplo, “vencer” significa chegar a uma sociedade civil onde as pessoas tanto pregam quanto praticam o respeito pela vida e pela propriedade. Isso significa que nós traçamos o nosso caminho e tomamos conta de nossas vidas. Significa que nos apoiamos na associação voluntária e na compaixão individual. Significa governo mínimo e autossuficiência. E quando chegarmos lá, a batalha de ideias ainda não terá terminado porque as pessoas, não sendo perfeitas, podem sempre desaprender as verdades que aprenderam.

Em um sentido mais restrito, mais concreto, saberemos que vencemos quando surgirem mudanças específicas – no pensamento e na política. Reuni algumas aqui em uma lista que, de maneira nenhuma, está completa. Considere-a apenas um começo.

Saberemos que vencemos:

Quando “liberalismo” voltar a ser sinônimo de liberdade.

No seu livro História do pensamento econômico, Joseph Schumpeter observou que liberalismo inicialmente descrevia aqueles que acreditavam que “a melhor maneira de promover o desenvolvimento econômico é removendo os grilhões da economia da iniciativa privada e deixá-la funcionar sozinha. Na linguagem americana de hoje, significa exatamente o contrário. Schumpeter considerou o fato como “um elogio supremo, se não intencional, os inimigos do sistema de iniciativa privada sabiamente se apropriarem do seu rótulo”.

Liberalismo é um termo bom demais para que permitam que seja tomado por estatistas. Vamos retomá-lo, e deixar que aqueles que lutam pela preservação do status quo fracassado do governo grande sejam conhecidos como os verdadeiros “conservadores”. Quando isso acontecer, teremos ganho muito mais do que apenas uma posição estratégica semântica.

Quando “serviço público” for considerado o que alguém faz naturalmente no setor privado

O emprego governamental, mesmo quando o empregado desconsidera os direitos e propriedade dos demais, se veste do manto de prestígio de serviço altruísta para a humanidade, situado um nível acima do que motiva as pessoas que não trabalham para o governo. Mas em muitos casos, um serviço público genuíno de um trabalhador do governo realmente começa quando ele assegura uma vida honesta no setor privado – produzindo bens e fornecendo serviços que melhoram as vidas de outros, que protegem-no porque decidem o fazer, não porque são forçados a tal comportamento.

Encontrar a cura para doenças, inventar mecanismos que poupem trabalho, alimentar e vestir milhões, e incontáveis outras atividades privadas, frequentemente motivadas por lucro, não são menores indicativos de serviço para o público do que quase tudo que o governo faz. Na próxima vez que alguém disser que está concorrendo a algum cargo governamental, pergunte-o se isso significa que ele está planejando largar o serviço público.

Quando “o que nos é devido” é um contracheque, não um cheque de bem-estar social

Tiro meu chapéu para quem começou o mau hábito de chamar de “direitos” os pagamentos recebidos do governo. O termo inteligentemente solidifica e perpetua os próprio programas que rotula – programas que tomam algo de valor daqueles que o adquiriram e concedem-no àqueles que não o fizeram, e que podem até mesmo valorizá-lo menos.

Um contracheque por trabalho realizado é um direito genuíno. Uma reivindicação contra tal contracheque por aqueles que prefeririam votar a trabalhar para se sustentarem não é nem genuína nem algo a que alguém tem o direito em uma sociedade livre. Vamos corrigir os padrões de pensamento que permitem a atual má utilização do termo para fortalecer o estado de bem-estar social atual.

Quando os cidadãos tiverem pelo menos tanto interesse em uma revolta contra o gasto público quanto geralmente demonstram por uma revolta contra os impostos.

Quase todo mundo é a favor de diminuir impostos, mas isso não significa necessariamente que todos também são a favor de menos gasto governamental. Às vezes, as mesmas pessoas que defendem impostos mais baixos são as que estão na fila para sugar o que puderem do prato público.

Não é suficiente pedir ao seu representante político que não tire dinheiro de você. Você deve também exigir que ele não lhe dê nada também, pelo menos nada que não seja seu por direito para começar.

Quando o governo parar de distribuir seu poder coercivo para servir interesses especiais

O governo não é o único mecanismo que emprega força legal e frequentemente injustificável contra pessoas. Outros também o fazem, se o governos primeiramente lhes garante o poder.

O melhor exemplo disso são os atuais sindicatos de trabalhadores. Com os privilégios especiais garantidos pelo governo, eles forçam milhões a se associarem a eles ou a apoiarem financeiramente causas contra as quais eles às vezes se opõem.

Por exemplo, a Suprema Corte dos Estados Unidos ratificou em sua decisão Beck, de 1988, o direito de todo e qualquer trabalhador de não ter de pagar um centavo ao seu sindicato para atividades políticas sem que consentisse, mas quase ninguém, em nenhum nível do governo, parece interessado em apoiar tal regra.

Nós devemos trabalhar para que um dia os direitos do caso Beck de um cidadão sejam considerados tão importantes quanto os seus direitos do caso Miranda.

Quando autoaperfeiçoamento for compreendido como um primeiro passo para melhorar o mundo

Se cada pessoa decidisse se tornar um cidadão modelo, ela teria nas suas mãos um trabalho de período integral para toda a vida. No entanto, muitos sucumbem à tentação de se intrometerem nos assuntos dos outros – e mesmo as melhores das intenções frequentemente acabam resultando em conflito e dano.

O progresso estável da humanidade deriva do progresso de indivíduos, homens e mulheres, que, em certo momento, decidiram fazer o melhor com o que receberam de Deus. Seja um modelo, não uma carga, e veja quão rapidamente você encorajará outros a serem o mesmo.

Você dirá que é uma tarefa difícil? Sim, é. E há muitas outros pontos de referência que eu poderia ter adicionado a essa lista para torná-la ainda mais difícil. Poucas coisas que valem a pena são alcançadas ou retidas facilmente. Vencer a batalha pela liberdade está entre as mais estimulantes disputas que eu posso imaginar, em parte porque os pontos de referência pelo caminho são tão certos quanto o objetivo final.

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