O mito que a Grande Depressão foi culpa do livre mecado

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Por Lawrence W. Reed

Quão ruim foi a Grande Depressão? Ao longo dos seus quatro anos, entre 1929 1933, a produção nas fábricas, minas e serviços da nação caiu mais de 50%. Os rendimentos reais das pessoas despencaram 28%. Os preços das ações colapsaram para 1/10 seu patamar pré-crash. O número de desempregados americanos subiu de 1,6 milhão em 1929 para 12,8 milhões em 1933. Um em cada quatro trabalhadores estava sem serviço no pico da Depressão e rumores horríveis de revolta fervilharam pela primeira vez desde a Guerra Civil.

Mitos antigos nunca morrem; eles continuam aparecendo em livros de Economia e Ciência Política usados nas faculdades. Hoje, estudantes são frequentemente ensinados que a livre iniciativa irrestrita colapsou em 1929, pavimentando o caminho para uma década de depressão econômica repleta de dificuldades e miséria. O presidente Herbert Hoover é apresentado como o defensor da política de não-intervenção, ou laissez-faire, enquanto que seu sucessor, Franklin Roosevelt é o salvador econômico cujas políticas nos trouxeram a recuperação. Este relato bastante popular da Depressão pertence a um livro de contos de fadas e não a uma discussão séria de história econômica, como uma revisão dos fatos demonstra.

Para entender corretamente os eventos daquele tempo, é apropriado enxergar a Grande Depressão não como uma, mas como quatro depressões consecutivas condensadas em uma só. O economistaHans F. Sennholz rotulou essas quatro “fases” da seguinte maneira: o ciclo econômico; a desintegração da economia mundial; o New Deal; e o Wagner Act. A primeira fase explica, antes de tudo, por que o crash de 1929 aconteceu; as outras três mostram como a intervenção do governo manteve a economia em estagnação por uma década.

A Grande Depressão não foi a primeira depressão do país, embora seja provado que tenha sido a mais longa. O tecido comum dos últimos colapsos foi a manipulação desastrosa da oferta de moeda pelo governo. Por diversos motivos, o governo adotou políticas para inchar a quantidade de moeda e de crédito. O resultado era um boom seguido por um doloroso dia de balanço. No entanto, nenhuma depressão americana anterior a 1929 durou mais que quatro anos e a maioria delas estava superada em dois. A Grande Depressão durou doze anos porque o governo a agravou com seus erros monetários numa série de intervenções nocivas.

A maioria dos economistas monetários, particularmente aqueles da “Escola Austríaca”, observaram a relação próxima entre oferta de moeda e atividade econômica. Quando governos inflam a oferta de moeda e de crédito, as taxas de juros primeiro caem. Empresas investem este “dinheiro fácil” em novos projetos de produção e acontece um boom nos bens de capital. Na medida em que o boom se esgota, o custo de produção sobe, as taxas de juros são ajustadas para cima e a margem de lucro diminui. O efeito “dinheiro fácil” acaba e as autoridades monetárias, temendo a inflação dos preços, desaceleram o crescimento ou até diminuem a oferta de moeda. Em ambos os casos, a manipulação é suficiente para derrubar os suportes instáveis do Castelo de Cartas econômico.

Um dos mais completos e meticulosos relatos documentados das ações inflacionárias do Fed antes de 1929 é “A Grande Depressão Americana” de Murray Rothbard. Utilizando uma ampla medida que inclui moeda, demanda, depósitos a prazo e outros ingredientes, Rothbard estimou que o Federal Reserve expandiu a oferta de moeda em mais de 60% desde a metade de 1921 até a metade de 1929. Essa avalanche de “dinheiro fácil” diminuiu as taxas de juros, projetou o mercado de ações a patamares vertiginosos e deu origem às loucuras da década de 20. Alguns economistas não percebem isso porque focam no nível dos preços, que não mudou muito, entretanto o “dinheiro fácil” distorce o preço relativo, que por sua vez fomenta condições insustentáveis em certos setores.

No começo de 1929, o Federal Reserve estava cortando o estímulo da farra. Ele sufocou a oferta de moeda, aumentou as taxas de juros e, ao longo dos próximos três anos, encolheu a oferta de moeda em 30%. Essa deflação após inflação arrancou a economia de um boom tremendo para um fracasso colossal.

O “dinheiro inteligente” – pessoas como Bernard Baruch e Joseph Kennedy que estavam atentos à oferta de moeda – viram que a farra estava chegando ao final muito antes que a maioria dos americanos. Na verdade, Baruch começou a vender ações e comprar títulos e ouro em 1928; Kennedy fez o mesmo comentando que “apenas um ingênuo insiste no dólar alto“.

Quando as massas de investidores sentiram a mudança na política do Fed, a debandada estava em curso. O mercado de ações, após aproximadamente dois meses de declínio moderado, mergulhou na “quinta-feira negra” – 24 de outubro de 1929 – conforme a visão pessimista de grandes investidores se espalhou.

A crise do mercado de ações foi apenas um sintoma – não a causa – da Grande Depressão: o mercado subiu e desceu de maneira praticamente sincronizada com o que o Fed estava fazendo. Se esta crise fosse como as anteriores, os momentos difíceis subsequentes poderiam ter durado um ou dois anos. No entanto, políticas de uma incompetência sem precedentes prolongou a miséria por mais doze anos.

O desemprego em 1930 teve uma média levemente recessiva de 8,9%, acima dos 3,2% de 1929. Ele disparou até atingir seu pico de mais de 25% em 1933. Até março de 1933, o presidente era Herbert Hoover, o homem que os anticapitalistas descrevem como um campeão da não-intervenção ou economia laissez-faire.

Será que Hoover realmente se enquadra numa filosofia de economia não-intervencionista, de livre mercado? Seu oponente na eleição de 1932, Franklin Roosevelt, achava que não. Durante a campanha, Roosevelt culpou Hoover por gastar e taxar demais, aumentando a dívida pública, sufocando os negócios e colocando milhões de pessoas no desemprego. Ele acusou o presidente por gastos “imprudentes e extravagantes”, por pensar que “devemos centralizar o controle de tudo em Washington o mais rápido possível” e por estar à frente “da administração que mais gastou em tempos de paz em toda a história.” O seu vice, John Nance Garner, denunciou que Hoover estava “levando o país pelo caminho do socialismo.” Ao contrário do mito moderno sobre Hoover, Roosevelt e Garner estavam absolutamente corretos.

A coroação da loucura da administração de Hoover foi a tarifa Smoot-Hawley, aprovada em junho de 1930. Ela substituiu a tarifa Fordney-McCumber, que já havia posto a agricultura americana numa pirueta durante a década anterior. Sendo a legislação mais protecionista da história dos Estados Unidos, a tarifa Smoot-Hawley virtualmente fechou as fronteiras para mercadorias estrangeiras e iniciou uma viciosa guerra comercial internacional.

Oficiais na administração e no congresso acreditavam que subir as barreiras comerciais forçaria os americanos a comprarem mais mercadorias feitas no país, o que resolveria o problema incômodo de desemprego. Eles ignoraram um princípio importante do comércio internacional: os negócios são em última instância uma via de duas mãos; se estrangeiros não puderem vender suas mercadorias aqui, então eles não terão os dólares necessários para comprar aqui.

Empresas estrangeiras e seus empregados foram reduzidos pela excessiva tarifa Smoot-Hawley, e governos estrangeiros logo retaliaram com barreiras comerciais próprias. Com sua habilidade de vender no mercado americano severamente dificultada, eles diminuíram suas compras de mercadorias americanas. A agricultura foi atingida de maneira particularmente forte. Com um traço da caneta do presidente, agricultores perderam aproximadamente um terço de seus mercados. Os preços agrícolas despencaram e dezenas de milhares de agricultores faliram. Com o colapso da agricultura, bancos rurais faliram em um número recorde, arrastando consigo centenas de milhares de clientes.

Hoover aumentou dramaticamente os gastos públicos em subsídios e resgastes. No espaço de um ano, de 1930 a 1931, o governo federal aumentou sua participação no PNB em quase um terço.

A burocracia da agricultura sob Hoover distribuiu centenas de milhões de dólares para produtores de trigo e algodão, mesmo com seus mercados exterminados pelas novas tarifas. A Reconstruction Finance Corporation despejou mais bilhões em subsídios a negócios. Algumas décadas mais tarde, comentando sobre a administração Hoover, Rexford Guy Tugwell, um dos arquitetos das políticas da década de 30 de Franklin Roosevelt, explicou que “nós não admitimos na época, mas praticamente todo o New Deal foi extrapolado de programas que Hoover começou.”

Para agravar a loucura das altas tarifas e subsídios monstruosos, o congresso aprovou e Hoover assinou o Revenue Act de 1932. Ele dobrava o imposto de renda para a maioria dos americanos; o teto mais que dobrou, indo de 24 por cento para 63 por cento. Exceções foram diminuídas; o crédito pelo rendimento auferido foi abolido; impostos corporativos e imobiliários subiram; novas taxas sobre doações, gasolina e automóveis foram impostas; e taxas postais foram elevadas acentuadamente.

Será que um estudioso sério pode observar a maciça intervenção econômica da administração Hoover e, com cara deslavada, proclamar inevitáveis efeitos nocivos da falha do livre mercado?

Franklin Delano Roosevelt ganhou a eleição presidencial de 1932 de lavada, colecionando 472 delegados contra apenas 59 de Herbert Hoover. A plataforma do Partido Democrata que Roosevelt dirigia declarou que “nós acreditamos que a plataforma do partido é uma aliança com o povo a ser mantida fielmente pelo partido que foi confiado o poder.” Ele anunciou uma redução de 2%, um orçamento federal balanceado, uma barulhenta moeda com lastro em ouro “a ser preservada de todos os perigos”, a retirada do governo de áreas que pertenciam mais apropriadamente a empresas privadas, e um fim aos programas agrários “extravagantes” de Hoover. Isto foi o que o presidente Roosevelt prometeu, mas não há semelhança com o que o presidente de fato entregou.

No primeiro ano do New Deal, Roosevelt propôs gastar 10 bilhões de dólares enquanto as receitas eram apenas 3 bilhões. Entre 1933 e 1936, os gastos do governo subiram mais de 83 por cento. A dívida federal explodiu, aumentando em 73 por cento.

Roosevelt garantiu a aprovação do Agricultural Adjustment Act (AAA), que cobrava uma nova taxa de processadores agrícolas, e usou a receita para supervisionar a destruição de plantações e rebanhos valiosos. Agentes federais observaram o espetáculo horrendo em que campos perfeitos de algodão, trigo e milho foram devastados. Gado saudável, ovelhas e porcos foram assassinados e enterrados aos milhões.

Mesmo se o AAA tivesse ajudado os agricultores diminuindo a oferta e aumentando os preços, isto só ocorreria prejudicando milhões de outros que teriam de pagar esses preços ou comer menos.

Talvez o aspecto mais radical do New Deal tenha sido o National Industry Recovery Act (NIRA), aprovado em junho de 1933, que estabeleceu a National Recovery Administration (NRA). Com o NIRA, a maior parte da indústria de manufaturados foi repentinamente colocada sob o jugo de cartéis controlados pelo governo. Códigos que regulavam os preços e termos de vendas transformaram rapidamente uma boa parte da economia americana em um arranjo ao estilo fascista, enquanto que a NRA era financiada por novas taxas nas próprias indústrias que controlava. Alguns economistas estimaram que a NRA aumentou o custo de fazer negócio em uma média de 40% – algo que uma economia em depressão não precisa para se recuperar.

Assim como Hoover, Roosevelt assinou uma lei para aumentar o teto do imposto de renda e introduziu uma taxa de 5% para o imposto retido na fonte sobre os dividendos das empresas. Na verdade, o aumento de impostos se tornou a política favorita do presidente nos próximos dez anos, culminando num imposto de renda de 94% durante o último ano da Segunda Guerra Mundial.

Programas públicos de alívio de Roosevelt incluíram atores para dar shows gratuitos e bibliotecários para catalogar arquivos. O New Deal até pagou pesquisadores para estudar a história do alfinete, contratou 100 trabalhadores de Washington para patrulhar as ruas com balões, afugentando passarinhos dos prédios públicos e colocou homens na folha de pagamento para capturar bolas de feno em dias com muito vento.

Roosevelt criou a Civil Works Administration em novembro de 1933 e a fechou em março de 1934, embora os projetos não concluídos tenham sido transferidos para a Federal Emergency Relief Administration. Roosevelt assegurou ao congresso na sua mensagem ao Estado da União que tais novos programas seriam abolidos em um ano. “O governo federal”, disse o presidente, “deve acabar com este negócio de alívio. Eu não quero que a vitalidade de nosso povo continue sendo viciada através de doações em dinheiro, cestas básicas, de alguns finais de semana cortando grama, varrendo folhas ou recolhendo papéis em praças públicas.”

Mas em 1935, a Works Progress Administration apareceu. Ela é conhecida hoje como o programa do governo que deu origem ao termo “boondoggle[N.R.: Equivalente a elefante branco nos Estados Unidos], porque ela “produziu” muito mais que as 77.000 pontes e 116.000 prédios que seus defensores adoram usar como evidência de sua eficácia. A lista chocante de gastos inúteis gerados por esses programas de emprego representou um desvio de recursos valiosos para propósitos economicamente contraproducentes e com motivações políticas.

A economia americana logo se livrou do peso de alguns excessos do New Deal quando a Suprema Corte revogou a NRA em 1935 e a AAA em 1936, ganhando o eterno desprezo e ira de Roosevelt. Reconhecendo muito do que Roosevelt fez como inconstitucional, os “nove senhores” da corte também jogaram fora outros atos menores e programas que afetavam a recuperação.

Libertada do pior do New Deal, a economia demonstrou alguns sinais de vida. O desemprego caiu para 18%e m 1935, 14% em 1936 e diminuiu ainda mais em 1937. Mas em 1938, retornou ao patamar de 20% quando a economia tombou novamente. O mercado de ações despencou perto de 50% entre agosto de 1937 e março de 1938. O “estímulo econômico” do New Deal de Franklin Roosevelt alcançou finalmente algo inédito: uma depressão dentro de outra depressão!

O palco estava montado para o colapso de 1937-38 com a aprovação do National Labor Relations Act em 1935 – melhor conhecido como Wagner Act e “Carta Magna” das uniões trabalhistas. Citando novamente Hans Sennholz:

Esta lei revolucionou as relações americanas de trabalho. Ela tirou as disputas trabalhistas dos tribunais de justiça e as levou para uma recém-criada agência federal, a National Labor Relations Board, que se tornou a promotora, juíza e júri, tudo uma só. Simpatizantes dos sindicatos na agência perverteram esta lei, que já garantia imunidades legais e privilégios a este tipo de organização. Os Estados Unidos então abandonaram a maior conquista da civilização ocidental, a igualdade sob a lei.

Armados com estes amplos poderes, uniões trabalhistas iniciaram um frenesi de organizações militantes. Ameaças, boicotes, greves, fechamento de fábricas e difusão de violência fizeram a produção despencar e o desemprego aumentar dramaticamente. O número de filiados a sindicatos explodiu; em 1941 havia duas vezes e meia o número de americanos filiados que em 1935.

Com a Casa Branca sobre as rodas do Wagner Act, veio uma enxurrada de insultos contra mercado. Homens de negócio, esbravejou Roosevelt, eram obstáculos no caminho para a recuperação. Novas restrições ao mercado de ações foram impostas. Um imposto de renda retido na fonte, chamado “imposto de lucro não distribuído”, foi aprovado. “Esse esforço afogue-os-ricos”, escreveu o economista Robert Higgs, “deixa pouca dúvida que o presidente e sua administração pretendem empurrar para o congresso tudo o que eles puderem para subtrair a riqueza dos responsáveis pela maior parte das decisões de investimento privado. ”

Higgs traçou uma relação próxima entre o nível de investimento privado e o caminho da economia americana na década de 30. Os ataques implacáveis da administração Roosevelt – em ambas palavra e ação – contra o mercado, propriedade e livre iniciativa garantiram que o capital necessário para impulsionar a economia ou desaparecia em impostos ou era forçado a ser escondido. Quando Roosevelt levou os Estados Unidos para a guerra em 1941, ele maneirou sua agenda anti-mercado, no entanto uma boa parte do capital da nação foi desviado para esforços de guerra em vez de expansão industrial ou de bens de consumo. Só após o fim da guerra e do mandato de Roosevelt que os investidores sentiram confiança suficiente para “colocar em andamento o boom de investimentos pós-guerra que alavancou o retorno da economia para a prosperidade sustentável.”

Na véspera da entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial e doze anos após a crise do mercado de ações na quinta-feira negra, dez milhões de americanos estavam sem emprego. Roosevelt havia prometido em 1932 acabar com a crise, mas ela persistiu dois mandatos presidenciais e incontáveis intervenções. Quando o gasto federal colapsou e o controle dos preços foram abandonados após a guerra, e a taxação dos negócios foi dramaticamente reduzida em 1945, a economia começou a se recuperar genuinamente.

A gênesis da Grande Depressão está nas políticas monetárias de inflação do governo americano durante a década de 20. Ela foi prolongada e exacerbada por uma sucessão de erros políticos: tarifas esmagadoras de comércio, impostos que desencorajam o incentivo, controles que entorpecem a produção e competição, destruição sem sentido de plantações e rebanhos, e leis trabalhistas coercivas, citando apenas alguns. Não foi o livre mercado que produziu doze anos de agonia; foi, na verdade, a inépcia política numa escala tão grande quanto já se viu.

Sumário

  • A Grande Depressão não aconteceu após um período de “capitalismo irrestrito”. Na verdade, ela foi inevitável devido à política monetária errática do governo federal, especificamente do Federal Reserve.
  • Após anos de “dinheiro fácil” e baixas taxas de juros, o Fed preparou uma correção com uma política de aumento de taxa de juros e deflação na oferta de moeda.
  • A administração Hoover se deparou com uma recessão e a tornou uma depressão sufocando dramaticamente o comércio internacional com altas tarifas e dobrando o imposto de renda.
  • Franklin Roosevelt prometeu desfazer os gastos públicos e aumentos de impostos de Hoover, mas após ser eleito fez exatamente o contrário.
  • O New Deal aprofundou a Depressão evitando a recuperação. Criou cartéis industriais que aumentaram os custos e destruiu plantações e rebanhos valiosos.
  • Uma depressão dentro da depressão aconteceu em 1937 após a imposição de novas regras trabalhistas custosas e altos impostos.
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