A Receitinha do Mal

 

por Fernando Alves

 

“Até o pensamento criminoso de um bandido é maior e mais nobre do que todas as maravilhas do céu”. – Friedrich Hegel, filósofo alemão, ídolo de Karl Marx, sendo seu mestre de filosofia dos tempos de juventude. Hegel era um dos filósofos que Marx mais admirava, sendo citadas inúmeras vezes seus versos por ele. [1]

O objetivo deste artigo é bem simples, mostrar de forma rápida e resumida possível, que todos aqueles que proferem besteiras como “Marx foi deturpado!” ou que “O socialismo verdadeiro nunca existiu!” estão enormemente erradas ou são grandes vigaristas. O texto é bem simples poIS não é preciso muito esforço para refutar Marx e Engels, na maior parte do manifesto, eles mesmos fazem isso. Mas o que mais me impressiona é o fato de pessoas como Luciana Genro continuarem repetindo essas besteiras. Vivo me perguntando se ela realmente leu Marx e entendeu alguma coisa. Pra falar a verdade não me surpreenderia se descobrisse que os esquerdistas não leem nem mesmo os próprios livros.

Mas vamos lá, começando com a introdução do Manifesto Comunista feito por Harold J. Laski, que ratifica a visão de Marx que “considerava as camadas pobres da sociedade, sobretudo as criminosas, como os arquitetos principais da revolução.” Sempre me perguntei por que a esquerda se dedica de tal maneira a defender criminosos e por que ela sempre se esforça com tamanho afinco e eficiência em manter a população em uma pobreza dependente do Estado.

Sobretudo, temos supracitada uma visão preconceituosa que considera a classe criminosa como sendo pertencente às classes mais pobres da população.

A esquerda preconceituosa? Quem (excluindo todo mundo que eu conheço) poderia imaginar um absurdo desses?

Possivelmente Harold não conhece o congresso brasileiro. Marx deixa bem claro no Manifesto que a violência acompanharia a destruição final do capitalismo. Mas o melhor está por vir. Segundo Marx: “Estes instaurariam imediatamente a ordem comunista, a ser governada por uma pequena comissão de sábios.” Tipo Jean Wyllys, Maria do Rosário, Jandira Feghali, Sibá Machado e demais “sábios”, “A fim de manter a adesão das massas”. Marx “achava indispensável que o novo Governo apoiasse a religião. Cristo seria considerado o fundador do socialismo” e assim a própria religião poderia ser utilizada na destruição do capitalismo. [2] Marx também afirma que: “Não há nada mais fácil do que dar um verniz socialista ao ascetismo cristão. (…) O socialismo cristão é a água benta com que o padre consagra o despeito da aristocracia.” Se depender de Odilo Scherer e a CNBB que atualmente entende mais de Karl Marx do que de Jesus Cristo, sabemos que seria um verdadeiro sucesso.

“Marx e Engels estavam convencidos de que a vitória do proletário e o consequente estabelecimento da sociedade sem classes seriam normalmente realizados pela revolução violenta da burguesia.” E se preciso, os partidos comunistas “deveriam estar prontos a aliar-se com partidos não-operários, se o resultado de tal união fosse estrategicamente progressista.” Em sua introdução, Harold apresenta outra preciosidade, a de que Marx e Engels entendiam por “ditadura do proletariado”, como sendo uma organização social na qual o poder estatal estivesse nas mãos da classe trabalhadora, mantendo com toda a força necessária para impedir que fosse tomado pela classe que anteriormente exercia a autoridade. “Esboçamos em linhas gerais as faces do desenvolvimento do proletariado, descrevemos a guerra civil mais ou menos oculta, existente na sociedade atual, até a hora em que essa guerra explode numa revolução aberta e a derrubada violenta da burguesia estabelece a dominação do proletariado.” Dizem Marx e Engels na seção I do Manifesto. “Deveis, pois, admitir que por ‘individuo’ entendeis apenas o burguês, o proprietário burguês. Sem dúvida, esse indivíduo deve ser suprimido.” Segundo Marx e Engels, em contraposição a afirmação burguesa que é ela a responsáveis por movimentar a economia de um país, eles dizem que aqueles que empreendem e enriquecem fazem isso sem precisar trabalhar, à custa dos outros: “Caso isso fosse verdade, a sociedade burguesa teria, há muito, sucumbido à ociosidade, pois aqueles seus membros que trabalharam nada lucram e os que lucram não trabalham”.
E quando você pensa que não pode melhorar, eis que os próprios Marx e Engels admitem que suas propostas estão ultrapassadas e meio que pedem para você não levar muito a sério uma das partes mais importantes do Manifesto. “Por mais que tenham mudado as condições nos últimos vinte e cinco anos, os princípios gerais expressados nesse Manifesto conservam, em geral, toda a sua exatidão. Em algumas partes certos detalhes devem ser melhorados. Segundo o próprio Manifesto, a aplicação prática dos princípios dependerá, em todos os lugares e em todas as épocas, das condições históricas vigentes e por isso não se deve atribuir importância demasiada às medidas revolucionarias propostas no final da seção II. (…) Em certos pormenores, esse programa está antiquado, levando-se em conta o desenvolvimento colossal da indústria moderna desde 1848, os progressos correspondentes da organização da classe operaria e a experiência prática adquirida”. Dizem Marx e Engels no I. Prefácio à Edição Alemã de 1872. É bom lembrar que as traduções costumam ter variações como esta: “e por isso não se atribui de modo nenhum qualquer peso particular às medidas revolucionárias propostas no fim da secção II.” Diferente desta versão: “e por isso não se deve atribuir importância demasiada às medidas revolucionarias propostas no final da seção II.”

Mas então, o que diz no final dessa seção II? Transcrevo as principais propostas logo abaixo:

II Proletários e comunistas

bolchevismo-desmascarado-da-segunda-guerra-mundial.jpg.jpegPara os países mais avançados, contudo, poderão ser aplicadas de um modo bastante geral as seguintes: 1 – Expropriação da propriedade fundiária e emprego das rendas fundiárias para despesas do Estado. 2 – Pesado imposto progressivo. 3 – Abolição do direito de herança. 4 – Confiscação da propriedade de todos os emigrantes e sediciosos. 5 – Centralização do crédito nas mãos do Estado, através de um banco nacional com capital de Estado e com monopólio exclusivo. 6 – Centralização dos meios de comunicação e sistema de transportes nas mãos do Estado. 7 – Multiplicação das fábricas nacionais, dos instrumentos de produção, arroteamento e melhoramento dos terrenos de acordo com um plano comunitário. 8 – Obrigatoriedade do trabalho para todos, instituição de exércitos industriais, em especial para a agricultura. 9 – Unificação da exploração da agricultura e da indústria, atuação com vista à eliminação gradual da diferença entre cidade e campo. 10 – Educação pública e gratuita de todas as crianças. Eliminação do trabalho das crianças nas fábricas, tal como é feito atualmente. [3]

Interessante, não? Nessas páginas contém certo número de afirmações que Marx e Engels disseram ser obsoletas já em 1872.  A terceira seção é devotada à inevitável tarefa de desacreditar todos os grupos que aderirem a movimentos de ideias concorrentes. Marx e Engels também propõem no Manifesto outras ideias bem interessantes, como por exemplo; a abolição da família, por considera-la como sendo à base da burguesia, e só existindo para a burguesia. No Manifesto, Marx faz uma ofensa que não poderia ficar de fora. Ele considerava que as mulheres eram condescendestes com dois tipos de prostituição; a pública que acontecia na rua, e a particular, no caso a família. Isso mesmo que você acabou de ler, Marx considerava o casamento; a instituição matrimonial; a família, como uma tradição hipócrita e um tipo de prostituição legalizada. Marx e Engels também falam sobre suas intenções de querer abolir a pátria e a nacionalidade, por considerar que os trabalhadores não tem pátria. Deve ser por isso que nunca vemos uma bandeira brasileira nos protestos da PCdoB, PSOL, CUT, MST e etc.

10410198_845252462213676_210021614614371597_n.jpgLembro-me de certa vez, em que a revista Amálgama publicou um artigo falando porque Marx não havia sido deturpado. Não demorou muito para a blogueira Cynara Menezes sair toda polvorosa para defender Marx, dizendo que ele tinha sido deturpado sim, porque afinal de contas, pressupunha-se que Marx nunca tenha falado abertamente em tortura e fuzilamentos. Talvez quando Marx falou claramente em DERRUBADA VIOLENTA, DITADURA DO PROLETARIADO, REVOLUÇÃO VIOLENTA, TODA A FORÇA NECESSÁRIA, GUERRA CIVIL, DOMINAÇÃO DO PROLETARIADO, SUPRIMIR E PERSEGUIR A BURGUESIA, PEGAR EM ARMAS, presume-se que Marx quisesse dizer que “estas ações deveriam ser realizadas com todo carinho e gentileza, é claro”.

O maior problema do Manifesto para os comunistas é que Marx e Engels fazem o favor de dizerem que muitas das propostas estão obsoletas e também não dizerem quais são elas exatamente, mas que devem ser analisadas de acordo com o contesto histórico, industrial e econômico do lugar onde se deseja implanta-las. Além disso, eles também não dizem como deve acontecer à transição entre o socialismo e o comunismo, e como funcionaria economicamente. Assim, fica a cargo de “sábios” como Jean Wyllys, Maria do Rosário e Jandira Feghali decidirem.

 


Fernando Alves é estudante de administração e colunista do portal Anarcocapitalismo. Escreve artigos sobre economia, política e sociedade para blogs e sites liberais e libertários.

[1] – O Capital: Extratos por Paul Lafargue EDITORA VENETA recordações pessoais sobre Karl Marx

 

[2] – O Manifesto Comunista de Marx e Engels por Harold J. Laski EDITORA ZAHAR 2ª edição

 

[3] – O Manifesto do Partido Comunista por Karl Marx e Friedrich Engels 2ª edição

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