O governo foi o responsável pelo 7×1

por Lucas Bassotto

Cenas Lamentáveis, show nas arquibancadas, cerveja, provocações, estádios acanhados, jóias da base brilhando nos times principais, seleção brasileira sendo respeitada e temida em todos os lugares do mundo, e revelação de grandes craques. Tudo isso parece logínquo e remeter a tempos distantes que não voltarão mais a aparecer por aqui, não é? E o mais doloroso, é que isso é verdade.

Como em toda e qualquer democracia, o governo é chamado e suplicado por pessoas para que o mesmo possa resolver os problemas, e o que acontece é exatamente o contrário, o problema piora e muito dinheiro que foi roubado das pessoas (leia-se impostos) é jogado no lixo. O governo foi chamado para resolver o problema de brigas de torcida que estavam ocorrendo dentro e fora dos estádios, então um grupo de pessoas de forma totalmente arbitrária concluiu que a causa disso tudo é a bebida alcóolica, e proibiram a venda de bebidas nos estádios, o que obviamente não funcionou. Depois proibiram a pirotecnia e o uso de outros artifícios para dar mais beleza à festa de torcer para o seu time de futebol, o resultado disso foi: acabaram com o espetáculo e transformaram a torcida em uma platéia fria e distante. E no fim, para regulamentar o futebol e a profissão de Jogador Profissional, o governo junto a empresários e agentes de jogadores fez com que fosse aprovada a Lei Pelé, que até hoje é danosa ao desporto no Brasil

A Lei Pelé deu início à goleada de 7×1 sofrida pela Seleção Brasileira no Mineirão, no dia 07/07/14, esta Lei nos permitiu ver o jogador alemão Samir Khedira entrar na área brasileira tabelando facilmente e enterrando nosso futebol. Com a aprovação desta lei, e o passar do tempo, o governo forçou os clubes a abrirem mão dos seus direitos sobre os jogadores e repassá-los a empresários privados. No, o problema não é existir empresários privados no meio do futebol, o problema é existir empresários privados que agem em conjunto com o governo e garantindo seus privilégios, desta maneira seu mantendo um oligopólio dentro de um mercado completamente restrito e de difícil acesso. Antes de ser implementada a Lei Pelé, o clube tinha direito a 85% do valor do passe do jogador, enquanto a outra parte tinha direito aos 15% restantes, caso fosse envolvido em uma negociação. Entretanto depois dessa lei, os passes dos jogadores passaram para empresários, e os clubes ficaram sem nada, ou pelo menos perderam a maioria dos direitos de propriedade sobre os serviços destes jogadores. Ou seja, o governo transferiu a propriedade dos clubes para outras pessoas, sem que houvesse nenhuma negociação, obrigando os clubes a abrir mão destes direitos injustamente.

As consequências dessas seguidas violações de propriedades foram gravíssimas, os clubes perderam o incentivo a formar jogadores, já que ao completarem 18 anos eles não seriam mais do clube, e teriam que procurar um agente ou empresário para negociar seus contratos por eles. Como os clubes não têm incentivo ao preparo dos jogadores de base, o nível do futebol praticado no Brasil vai caindo, e cada vez menos jogadores serão revelados, e os que sobem ao time principal para estreiar, acabam subindo sem o preparo adequado, e somando tudo isso ao generoso patrocínio do banco estatal “Caixa Econômica Federal”, nós temos um mercado extremamente inflacionado, e jogadores ruins sendo negociados a peso de ouro. E os bons jogadores, os que chegam à Seleção Brasileira, seguem o fluxo Ásia-Europa-Oriente Médio, sem ficar um tempo razoável em seus clubes, e disputando ligas menos competitivas como foi no caso dos jogadores Renato Augusto, Jadson, Everton Ribeiro, Ricardo Goulart e tantos outros que se perderam nestes mercados periféricos.

Toda frieza e péssimo nível de futebol praticado aqui no Brasil fez crescer os movimentos de torcedores “Contra o Futebol Moderno”, torcedores saudosos e que querem o antigo futebol de volta, poder beber cerveja no estádio, ver aquele moleque franzino subindo para o time titular jogando um grande futebol, ver a seleção jogando bem, ver as festas na arquibancada e emoções que outrora guiaram nosso amado esporte. No entanto, este movimento foca o alvo errado e culpa o mercado e a modernização por ter arruinado o futebol. O mercado e os seus agentes seriam os primeiros a agir caso percebessem o quanto o seu produto é ruim (que é o caso do futebol brasileiro) e se seus consumidores estivessem insatisfeitos, e logo fariam de tudo para cumprir as demandas de seus torcedores. Se uma torcida tradicionalmente gosta de estádios acanhados, os dirigentes deste clube providenciariam um estádio nessas características, se os torcedores gostam de jogar papel higinênico no campo, os dirigentes os permitiriam a jogar o objeto dentro do estádio de propriedade do clube ou alugado pelo mesmo. Resumindo, os dirigentes de clube iriam escutar o que os seus torcedores desejam, e colocariam em ação.
Não são as arenas modernas, chuteiras coloridas e clubes com visão empresarial que arruinam o futebol, não é o mercado que faz os jogadores tocarem bola no meio de campo sem objetividade enquanto a torcida fica sentada em silêncio. Quem fez isso foi o governo, através de suas leis e regulamentações, que transfere a autonomia dos clubes e de indivíduos para um pequeno grupo de pessoas que detêm o poder de fazer o que achar melhor. Não é a modernização que entra tabelando na área do Brasil e faz 7×1. Para os coisas funcionarem melhor, que tal deixar com que os clubes possam negociar diretamente com os jogadores pelos seus serviços, decidir quais serão as regras nas suas propriedades e respeitar seus direitos, que tal parar de chamar seres iluminados para resolverem problemas que eles simplesmente não podem resolver?

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