Sobre “1984” e a esquerda pós-moderna

por Lacombi Lauss

poster_1984_lrg.jpgEm 1949 George Orwell publicou a famosa distopia “1984”, um romance que descreve uma engrenagem totalitária de uma sociedade completamente dominada pelo estado, onde tudo é feito coletivamente, e todos são doutrinados, vigiados e dominados pelo forte aparato coercitivo do partido dominante, tudo bem no esquema old-left de poder. O livro é realmente impressionante pela sua similaridade com as já conhecidas táticas de controle mental dos socialistas antigos.

Orwell cumpriu com eficácia seu objetivo: foi capaz de analisar e prever diversas táticas de controle e poder da antiga esquerda bolchevique e também dos nacionais socialistas. O livro serve até hoje como remédio para esse tipo de coletivismo que inclusive – e felizmente – está em decadência em nossos tempos.

Contudo, eis que surge um outro problema: os socialistas se deram conta que não tinham razão e agora passam a fazer uma cruzada contra ela. Esse é o advento do pós-modernismo, condição sócio-cultural e estética prevalente no ocidente após a queda do Muro de Berlim (1989), o colapso da União Soviética e a crise das utopias de esquerda no final do século XX. Não podemos dar uma definição clara a essa novo fenômeno, pois, em verdade, a claridade não se encontra entre os seus principais atributos. Ele não apenas falha em praticar a claridade mas em ocasiões até a repudia abertamente. Predomina o relativismo total, onde as noções de que tudo é um “texto”, que o material básico de textos, sociedades e quase tudo é significado, que significados estão aí para serem descodificados ou “desconstruídos”, que a noção de realidade objectiva é suspeita – tudo isto parece ser parte da atmosfera, ou nevoeiro, no qual o pós-modernismo floresce. Tudo é significado e significado é tudo e a hermenêutica o seu profeta.

A esquerda pós-moderna (ou new-left) é ainda mais perversa e perigosa que a descrita por Orwell pois é dispersa, descentralizada e propositalmente vaga. Ninguém responde por ela e não se vê um “manifesto pós-moderno” instruindo e doutrinando uma turba de seguidores zumbificados. Também não há partidos políticos representando-os e organizando suas movimentações: suas converções se dão como uma ameba engole a outra que está ao seu lado. E eles detém ainda mais força anti-civilizatória que a old-left: são intolerantes, não respeitam opiniões divergentes, querem fiscalizar parceiros e sexo dos outros, negam a ciência, são estatistas, condenam o lucro e o consumo, nutrem ódio por pessoas diferentes deles, são contra a liberdade de expressão, legitimando força bruta contra discursos que não gostam, negam o racionalismo, querem obrigar terceiros a se comportar como eles, se ofendem facilmente e o mais importante, odeiam a civilização ocidental.

Se alguém se der o trabalho de escrever um novo “1984” em referência à new-left, não tenho dúvidas que será ainda mais aterrorizador, macabro, violento e assombrante que o original. Ou acabamos com os pós-modernos, ou a convivência em sociedade se tornará insuportável.


 

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Lacombi Lauss é fundador do Ideal Libertário, escritor e editor de nossos parceiros do Foda-seoestado.com. Lacombi também é formado em direito pelo Mises Institute.

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