Boas intenções não são o suficiente para ajudar os pobres

escassez-620x350

Por Steve Patterson

Os esquerdistas são mestre da indignação. Eles veem injustiça em toda parte – política, economia, vida profissional, sociedade – onde quer que humanos estejam interagindo uns com os outros. Independentemente do contexto, a solução que propõem é sempre a mesma: mais regulamentação governamental.

Os esquerdistas também amam usar a linguagem dos ‘direitos’: “As pessoas têm direito à assistência médica. Elas têm direito a um emprego. Elas têm o direito a um salário mínimo. É uma questão de justiça”. Enquanto essas afirmações certamente parecem positivas, existe um problema:

Elas ignoram a realidade.

Antes de falar de “como as coisas deveriam ser”, parece-me mais oportuno primeiro entender “como as coisas, de fato, são”. Se você deseja entender como o mundo funciona, você deve entender de economia. Não é opcional. Como Murray Rothbard afirmou:

Não é nenhum crime ser ignorante em economia, a qual, afinal, é uma disciplina específica e considerada pela maioria das pessoas uma “ciência lúgubre”.  Porém, é algo totalmente irresponsável vociferar opiniões estridentes sobre assuntos econômicos quando se está nesse estado de ignorância.

A esquerda tem um histórico particularmente pobre quando o assunto é economia. Não são somente suas teorias confusas, mas demonstraram concretamente – por um século – que o planejamento central faz mais mal do que bem. (A União Soviética foi um paraíso esquerdista. De fato, examine a retórica da ex-União Soviética; soa estranhamente similar aos esquerdistas atuais. A União Soviética não poderia ter sido uma catástrofe maior).

Qualquer teoria política destituída de raciocínio econômico sólido é inútil, na melhor das hipóteses; e perigosa, na pior. É como um carro sem motor, transmissão, rodas, janelas, assentos ou assoalho.

Imagine um artista cego tentando pintar uma réplica perfeita de um prédio que está à sua frente. Ele não tem tinta, pincel ou tela. Mas ele tem um guardanapo usado e lama. Esse é o teórico político que não entende de economia. Independentemente do produto final do artista, esse é o equivalente da teoria política sem economia.

Antes de falar de empregos, salários e planos de saúde aos quais as pessoas têm, supostamente, direito, devemos perguntar: como empregos, salários e planos de saúde passam a existir? Como funciona o sistema econômico? Bens e serviços econômicos não aparecem na natureza; a pobreza é o estado natural da humanidade; a riqueza é a exceção. Então, como os seres humanos enriquecem?

Não é através de um decreto governamental, muito menos, através do planejamento central. É através do mercado – do livre mercado. Não me dedicarei a argumentos econômicos aqui, já que existe grande quantidade de informação disponível para quem estiver interessado. Um conselho: se você ainda não entende porque o salário mínimo gera desemprego, intensifique seus estudos.

Todas as verdades econômicas são baseadas em um princípio fundamental: recursos são escassos, isto é, não existem coisas suficientes para atender os possíveis desejos de todas as pessoas. De alguma forma, portanto, os recursos devem ser alocados.

Não é uma questão fácil: como recursos escassos deveriam ser alocados? Cada país tem uma situação econômica diferente – muitos diamantes na África do Sul, muito petróleo no Oriente Médio, muitos produtos finais na China. Como e para que todos esses recursos deveriam ser alocados? Contrário à intuição do planejamento central,o melhor método de alocação é dado pelo mercado, de forma descentralizada. Você simplesmente permite que as pessoas comercializem entre si, sem planejamento estatal, e a riqueza é criada.

Declarações como “trabalho infantil não deveria existir!” podem soar bem, contudo, do ponto de vista econômico, são absurdas, com graves consequências no mundo real. Imagine que eu dissesse “a GM deveria produzir 3x mais carros, cobrando 50% a menos por unidade! Dessa forma, mais pessoas poderiam comprá-los”. Certamente, muitas pessoas gostariam da ideia, contudo, ela é totalmente descabida. Ela ignora incontáveis realidades econômicas, tais como:

Por que pessoas compram carros em seu preço atual?

Dada a quantidade limitada de aço e borracha no mundo, quanto deveria ser devotado à produção de carros em comparação com a produção de máquinas, ferramentas e outros bens?

Se tivesse que vender pela metade do preço, a GM realmente se importaria em fabricar carros?

Você poderia propor facilmente outros milhares de questões que exigem resposta. Em pouco tempo, a verdade torna-se clara: existem tantas peças móveis na economia que o planejamento central é impossível. É muito conhecimento para uma só mente/máquina. Em vez disso, os mercados utilizam um sistema de preços – extraordinariamente eficiente – para alocar recursos para a sua utilização ótima.

E isso não se aplica somente a carros. Esse tipo de alocação ocorre com literalmente todos os bens econômicos, de planos de saúde a tênis de corrida. As leis econômicas não mudam dependendo do bem em questão. A produção de blusas não é intrinsicamente diferente da produção de alimentos, água, moradia ou serviços de saúde. Mesmo assim, sem exceção, os esquerdistas preferem negligenciar os fatos, recorrendo à retórica emocional vazia.

“Mas eu preciso de assistência médica para viver! Eu preciso de um salário mínimo! Não podemos permitir que a nossa vida fique nas mãos de empresários!”

Infelizmente, a retórica esquerdista ainda convence muitas pessoas. Junte isso com um governo democrático, e você tem a receita da pobreza sistêmica.

Novidade para os esquerdistas: você não se alimenta por causa de leis. A ANVISA não o protege de alimentos perigosos. É apesar da regulamentação governamental que a riqueza é criada. Você se alimenta devido aos mecanismos internos do sistema de mercado: preços, lucros e prejuízos. Sem eles, você provavelmente morreria de fome, com ou sem leis – e a história do comunismo não deixa dúvidas sobre a veracidade de minha afirmação.

Sim, as ‘lúgubres’ leis econômicas não tem o mesmo poder retórico. Soa tão bem dizer “todo mundo deveria ter ensino superior gratuito!” Mas esse não é um mundo onde a maioria das pessoas gostaria de viver – se entendessem, é claro, os trade-offseconômicos envolvidos.

Considere, por exemplo, minha recente visita ao hospital para um tratamento ambulatorial. Eu precisava de um lugar para estacionar, e tive pagar um estacionamento privado. Dinheiro! Pagar pelo estacionamento para obter serviços essenciais de saúde. Que tipo de porco capitalista egoísta me forçaria a pagar o estacionamento em um hospital? O estacionamento do hospital deveria ser gratuito!

Graças a Deus que o meu desejo não se realizou. O que teria acontecido com a) estacionamento gratuito para todos e b) um número escasso de vagas de estacionamento? Eu nunca teria encontrado um lugar.

Todo mundo que desejasse estacionar naquela área – para ir a um restaurante, passear no parque ou, talvez, consertar o carro – teria logicamente escolhido tal estacionamento, enquanto eu (alguém que realmente necessitava de uma vaga), não teria encontrado uma única vaga disponível.

A solução: preços. Existe somente uma quantidade finita de vagas. Em vez de “estacionamento gratuito para todos”, nós precisamos de “estacionamento para quem realmente precisa” – isto é, para aqueles que estão dispostos a pagar pela preciosa vaga.

Não é uma solução perfeita, pois não existe uma solução perfeita. A escassez implica a insatisfação de alguns desejos. É simplesmente a melhor solução possível, dada às circunstâncias imperfeitas.

Demonstrar indignação moral contra o ato de pagar pelo estacionamento do hospital não seria somente ridículo e descabido – seria contraproducente. O mundo seria um lugar melhor sem esse tipo de protesto. Mas, infelizmente, esse tipo de disparate contraproducente é precisamente o modus operandi dos progressistas. Eles tomam posições morais que não são baseadas na realidade, e persuadem eleitores ao apelar para retórica emocional – em sua “busca pela justiça cósmica”.

Fundamentalmente, afirmar que “todo mundo têm direito à moradia” não é diferente do que afirmar “todo mundo têm direito a um refrigerador, duas TVs, um carro, diversos pares de roupas, e acesso à internet!”. Para o progressista, qualquer preocupação com a produção desses bens ou com os efeitos concretos do microgerenciamento governamental é totalmente desnecessária, é claro…

Primeiramente, todas as teorias políticas e sociais devem ser arraigadas na realidade; segundo, elas têm que ser calcadas em princípios econômicos sólidos. Caso contrário, elas estão irremediavelmente condenadas a conclusões inadequadas e ilusórias.

// Tradução de Matheus Pacini. Revisão de Ivanildo Santos III.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s