Multiculturalismo forçado é relativismo moral

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Por Walter Williams

O fracasso do multiculturalismo pode ser hoje testemunhado em tempo real na Alemanha, no Reino Unido, na França, na Dinamarca, na Suécia, na Bélgica e em outros países europeus.

Imigrantes oriundos da África e do Oriente Médio, atraídos pelas promessas de benesses gratuitas e subsídios estatais, não apenas se recusam a se assimilar à cultura local, como ainda tentam implantar nesses países as mesmas culturas fracassadas das quais eles estão fugindo.

Na esquerda, os multiculturalistas e proponentes da diversidade estão corretos quando dizem que pessoas de todas as raças, religiões e culturas devem ser tratadas igualmente aos olhos da lei.  No entanto, todo o argumento deles se esfacela — sendo ainda mais franco, beira a idiotia — quando eles próprios afirmam que determinados arranjos culturais não podem ser julgados de maneira crítica.

Segundo eles, julgar alguns valores culturais como sendo superiores a outros é uma demonstração clara de racismo, preconceito e “eurocentrismo”.

Pergunte a qualquer defensor da diversidade e do multiculturalismo: a mutilação genital feminina compulsória, como a que é praticada em quase 30 países da África subsaariana e do Oriente Médio, é um valor cultural moralmente equivalente aos valores ocidentais?

A escravidão ainda é praticada no norte do Sudão.  Na maioria dos países do Oriente Médio, há várias limitações impostas às mulheres, como a proibição de dirigir, de ter um emprego, e de receber educação formal.  Sob a Lei Islâmica, em alguns países, mulheres adúlteras são punidas de morte por apedrejamento, e batedores de carteira têm suas mãos decepadas.

Em alguns países da África e do Oriente Médio, a homossexualidade é um crime, em alguns casos punida com a morte.

Seriam todos esses valores culturais moralmente equivalentes aos ocidentais?  Francamente, dizer isso é um relativismo moral.

A maior conquista do Ocidente foi o conceito de direitos individuais, os quais foram formalizados pela primeira vez na Magna Carta inglesa de 1215.  A ideia surgida era a de que indivíduos possuem determinados direitos que lhes são inalienáveis.  Indivíduos não existem para servir ao governo; e o governo existe apenas para proteger indivíduos contra agressões de terceiros.  Mas foi apenas no século XIX que as idéias da liberdade receberam amplo reconhecimento.  No Ocidente, elas foram popularizadas majoritariamente por meio das obras de filósofos britânicos, como John Locke, David Hume, Adam Smith e John Stuart Mill.

A liberdade individual implica tolerância às diferenças entre as pessoas, sejam essas diferenças raciais, sexuais, ideológicas ou políticas.  A liberdade também implica uma disposição em permitir que outras pessoas que discordem de você vivam tranquilamente a vida delas, desde que elas não agridam nenhum inocente.  Mas essa não é exatamente a visão dos multiculturalistas, que querem impor sua diversidade sobre pessoas que não querem aceitá-la.  Isso já é agressão.  Uma coisa é você não concordar com uma cultura, mas não agredir quem a pratica.  Outra coisa é querer impor, à força, uma cultura a quem discorda dela.

Isso não tem como dar certo.

E é isso o que os imigrantes muçulmanos fazem na Europa.  Em algumas partes do Reino Unido, cristãos são ameaçados de violência pelo simples fato de estarem carregando uma Bíblia.  Tentar, pacificamente, converter muçulmanos ao cristianismo é visto como um crime de ódio.  Mulheres são abordadas por homens muçulmanos por estarem “inapropriadamente” vestidas.  Várias mulheres são sexualmente agredidas por muçulmanos (mas nenhuma feminista vai a uma organização islâmica protestar contra a “cultura do estupro”).

Em vários países europeus, já foram estabelecidas várias “zonas proibidas” — nas quais nem a polícia pode entrar — em que a única lei é a sharia.  De acordo com o jornal britânico Express, “Londres, Paris, Estocolmo e Berlim estão entre as grandes cidades européias com uma explosiva lista de 900 zonas sem lei formadas por populações de imigrantes”.

Tanto na Europa quanto nos EUA, o multiculturalismo é uma visão elitista de esquerda, com raízes nas universidades.  A elite intelectual, os tribunais e as agências governamentais empurram sobre a população uma agenda que é tudo, menos uma defesa dos direitos individuais, da liberdade de não se submeter a um estilo de vida com o qual não concorda, e da filosofia do viva e deixe viver.  Ao contrário, multiculturalismo/diversidade é uma agenda que advoga todos os tipos de submissão: submissão a idéias, a atitudes e a discursos.

Multiculturalismo/diversidade é a imposição de programas de reeducação, em que os proponentes da diversidade doutrinam estudantes, intimidam professores dissidentes, e impõem sobre empregados, gerentes e executivos toda a agenda politicamente correta que já foi pré-estabelecida como sendo a única aceitável.

Parte dessa doutrinação advoga a proibição de se fazer qualquer julgamento crítico, ensinando que qualquer estilo de vida é tão válido e respeitável quanto os outros, e que todas as culturas e seus respectivos valores são moralmente equivalentes.

Para os adeptos do multiculturalismo e da diversidade, coisas como cultura, ideias, costumes, artes e habilidades são uma questão racial, e são determinadas pelo grupo ao qual você pertence.  Para tais pessoas, assim como um indivíduo não tem controle sobre a raça a que pertence, ele também não tem controle sobre sua cultura.  Essa é uma ideia racista, mas é um racismo politicamente correto.  Ela diz que as convicções, os valores e o caráter não são determinados pelo discernimento pessoal e pelas escolhas feitas, mas sim determinados geneticamente.  Em outras palavras, como os racistas de outrora afirmavam: a raça determina a identidade.

Como bem disse Thomas Sowell, “o multiculturalismo se resume a isso: você pode elogiar qualquer cultura do mundo, exceto a cultura ocidental; e você não pode culpar nenhuma do mundo, apenas a ocidental”.

Os valores ocidentais são superiores a todos os ouros.  Mas não é necessário ser ocidental para se ter valores ocidentais.  Um indivíduo pode ser chinês, japonês, judeu, africano ou árabe e possui valores ocidentais.  Aliás, não é coincidência que os valores ocidentais da razão e dos direitos individuais tenham produzido um padrão de vida sem precedentes para o cidadão comum, com saúde, expectativa de vida, riqueza e conforto crescentes.

Há uma relação inquestionavelmente positiva entre liberdade e padrão de vida.  Há também uma evidência inquestionável de que nós, ocidentais, não estamos dispostos a nos defender dos bárbaros.  Apenas veja nossa recente reação ao massacre de Orlando: em vez de nos concentramos no assassino e sua mentalidade, nos concentramos na arma que ele utilizou.

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