OCUPEM AS ESCOLAS!

Por Uriel Carrano 


“A história do desenvolvimento da educação obrigatória é uma história da usurpação estatal do controle dos pais sobre seus filhos para o próprio bem do estado; uma imposição de uniformidade e igualdade para reprimir o crescimento individual; e o desenvolvimento de técnicas para impedir o crescimento do poder de raciocínio e do pensamento independente entre as crianças.”

Murray N  Rothbard

Algumas considerações

  • O estado não é o proprietário legítimo de nada!
  • Público não é estatal!
  • Esse artigo não visa defender as atuais ocupações!

Milhares de escolas em todo o país se encontram ocupadas por estudantes secundaristas e embora boa parte dessas ocupações tenham viés político e ideológico, é de extrema importância salientar o fato de que a apropriação e ocupação (pela sociedade civil*) de qualquer propriedade em posse do agressor (estado) é legítima defesa e deve ser incentivada e praticada.


O estado não pode ser o dono legítimo de nenhuma propriedade, tudo aquilo que está em sua posse é roubado e foi conseguido através da violência, da intimidação e de um mecanismo positivado de expropriação compulsória.


As propriedades em posse estatal devem ser apropriadas por aqueles que misturam seu trabalho nela (e nisso se incluem principalmente os pagadores de impostos) e portanto as ocupações atuais são ilegítimas a partir do momento em que não permitem a entrada, a utilização e a participação da sociedade civil (os verdadeiros donos).

É então necessário que as ocupações não surjam somente dos setores aparelhados ao ensino institucionalizado, mas que venham principalmente da sociedade civil (dos pais e dos demais que são obrigados a financiar tais instituições) e que assim a educação livre e não-compulsória possa se mostrar uma alternativa viável, demonstrando na prática que a educação formal não necessita de um órgão centralizador e muito menos dos bilhões de reais destinados ao financiamento de uma estrutura parasitária, falida e obrigatória (i.e. totalitária).


A apropriação das escolas pelos seus legítimos donos (pagadores de impostos) deve ser pautada na divisão do patrimônio líquido total de toda a estrutura em quotas, ações e participação entre os pagadores de impostos (a legítima e libertária privatização rothbardiana), o que resultaria em uma radical descentralização na tomada de decisão e então, permitiria o surgimento de diversas escolas independentes, ou seja, cada escola teria um modelo de gestão e assim diversos modelos de ensino poderiam coexistir, e aqueles insatisfeitos com determinada gestão ou modelo de ensino teria a oportunidade de vender, doar ou trocar suas quotas/participação com outros e/ou para empresas/associações de pais e professores.

Em um ambiente sem a participação do governo, escolas de caráter comunitário irão coexistir com as escolas libertárias, religiosas e para minorias. Algumas escolas poderiam optar por cobrar taxas e mensalidades, outras poderiam depender de loterias, de doações, de organizações filantrópicas, igrejas, voluntários e até de empresas interessadas em marketing ou profissionais especializados. O custo por aluno seria muito baixo pela alta competição e se aliado ao fim da máfia dos diplomas, do currículo centralizado, da descriminalização do homeschooling e com o uso efetivo das ferramentas tecnológicas, o custo por aluno chegaria a quase 0.

Obviamente estamos muito longe de qualquer tipo de separação entre educação formal e o estado, entretanto é necessário a reflexão de que a esquerda estatista chegou em um ponto no qual o movimento libertário jamais ousou em chegar: a ocupação de escolas estatais e a tentativa (mesmo que extremamente questionável e falha) de criar modelos pautados em autogestão, com a ajuda de voluntários e professores que oferecem oficinas, aulas e outros métodos de ensino a baixo custo.

Ocupação Agorista!

Portanto é necessário imaginar, incentivar e criar um cenário de ocupação agorista e libertária no qual a ocupação das universidades estatais seria praticada não por estudantes militantes de movimentos estudantis aparelhados, mas sim por pessoas e estudantes que queiram assistir e lotar as aulas (e que não estejam matriculadas) ou por sabotadores dos direitos autorais dos professores (que divulguem material/aulas das universidades públicas na internet, que filmem as aulas e distribuam p2p a todos que as queiram assistir), além de mecanismos de falsificação de diplomas em grande escala com o intuito de acabar com tal máfia (ao menos em cursos teóricos que não seja necessário nenhum tipo de certificação que por sinal só serve como garantia de reserva de mercado).

O Agorismo preza pela ação genuinamente (r)evolucionária e pela junção da teoria libertária com a prática agorista e efetiva. Troquemos o risco pelo lucro!



*Sociedade Civil: Sociedade Civil é uma expressão que indica o conjunto de organizações e instituições cívicas voluntárias que constituem os alicerces de uma sociedade em funcionamento, em oposição com estruturas que são ajudadas pelo estado.**
**Nota de Edição: ou seja, movimentos de ocupação que não pertençam a sociedade civil (i.e. partidos políticos, sindicatos financiados pelo estado, movimentos estudantis aparelhados e outras organizações ligadas ao estado) são sempre ilegítimos e visam aumentar o poder estatal e portanto não devem ser apoiados ou defendidos pelos libertários, pois tais setores não fazem parte da sociedade civil e tais ações servem quase sempre de massa de manobra por interesses partidários.


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