Facebook, Google e Twitter: a polícia do pensamento no século XXI

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Um dos grandes feitos de Donald Trump durante a sua campanha para a presidência dos EUA foi ter exposto o que todo mundo já sabia, mas que aqueles no controle das rédeas da sociedade faziam questão de esconder: a grande mídia como flagrante manipuladora da opinião pública em favor da agenda dos partidos de esquerda.

Poucos dias após o resultado das urnas e a confirmação de Trump como presidente eleito dos EUA, o New York Times publicou um pedido de desculpas oficial admitindo uma cobertura parcial e enviesada das eleições e que, perante ao impacto negativo que tal prática causou na visão do público a respeito do jornal, voltariam a fazer jornalismo como antigamente. Como o NYT sempre foi tendencioso e a favor da esquerda e do establishment, talvez esse viés se torne apenas mais sutil, mas de forma alguma será erradicado. Um jornal do tamanho do NYT não sabe e não pode fazer jornalismo imparcial. Não há espaço para esse tipo de cobertura jornalística na grande mídia, que é totalmente controlada pelas mesmas pessoas que controlam o governo, independente de quem esteja no poder.

Se essa iniciativa do NYT não deve ser encarada como sinal de alguma melhora real e efetiva, o resto da mídia decidiu de vez tomar o lado da esquerda progressista, materializado pelo Partido Democrata. Em 2012, após a derrota de Mitt Romney para Obama, o Partido Republicano preparou uma espécie de dossiê de mais de 100 páginas compilando todas aquelas medidas que eles entendiam como erros e equívocos da campanha que levaram ao revés republicano naquelas eleições. Na semana passada, o Partido Democrata também se reuniu para tentar descobrir o que determinou sua derrota para um Donald Trump completamente massacrado pela mídia. E a resposta da união dos engenheiros sociais democratas foi muito mais simples do que aquele dos Republicanos, contudo potencialmente muito mais nocivo: notícias falsas. Segundo eles, eles perderam as eleições porque as redes sociais propagam muitas notícias falsas e as pessoas acabam levando essas notícias a sério, em vez de levarem a sério as “notícias verdadeiras”, que são aquelas que veiculadas pela grande mídia mainstream. Em vista disso, Facebook, Google e Twitter já declaram publicamente um projeto de banir o compartilhamento de notícias provenientes de sites com histórico de publicar informações consideradas falsas. Minha primeira reação ao ver essa notícia foi de que para o estatista, aquele cidadão médio, mentalmente dependente do sistema após anos de lavagem cerebral executada pelo sistema estatal de ensino e seus proponentes, os sites libertários poderiam muito bem ser vistos como sites de notícias falsas. Afinal de contas, nenhuma notícia que eles divulgam tem a opinião de um “especialista” de uma universidade renomada ou um estudo realizado com dados de um “orgão oficial”.

Os formadores de opinião a serviço do establishment não perderam tempo e já há listas dos supostos sites que devem ser censurados. Eis aqui um trecho de uma dessas listas.

O famoso jornal Los Angeles Times até divulgou um vídeo para denunciar os sites:

Alguns deles são realmente sites de notícias falsas, muitos com um tom humorístico. Mas o que eu temia, de fato aconteceu: sites de notícias realmente independentes, como The Free Thought Project e Zero Hedge, sem nenhum alinhamento ao establishment, figuram no Index estatal.  A lista segue ordem alfabética e é impossível ignorar o que se vê quando se chega na letra “L”. A minha profecia inevitavelmente se cumpria. Diversos sites libertários podem vir a ser banidos das redes sociais pelo simples fato de seus conteúdos serem vistos como “notícias falsas” aos olhos da polícia do pensamento trabalhando a favor do establishment. Nem mesmo o site do lendário membro-fundador e chairman do Mises Institute, Lew Rockwell, escapou.

Enquanto libertários, entendemos que as liberdades de imprensa e expressão estão inexoravelmente subordinadas à propriedade privada, ou seja, elas dependem de aval prévio do proprietário do meio pelo qual se pretende disseminar informação. A princípio, pode-se pensar que nem o governo americano e nem aqueles que o controlam nos bastidores estão diretamente censurando qualquer tipo de sites (ainda não oficialmente) e os sites que tomaram tal iniciativa o fazem lançando mão de suas respectivas propriedades. Entretanto, é de conhecimento público o viés progressista dos sites supracitados e sua predileção pelo controle das massas que o establishment tanto aprecia. Se censura pode ser definida quando um orgão privado não pode difundir informação devido a uma proibição do estado, então quando o privado e o estado são a mesma coisa e aquilo visto como privado pratica censura abertamente a favor do estado, não faz mais sentido falar em censura. 1984 nunca esteve tão perto.


“O que quer que o Partido afirme ser verdade é verdade. É impossível ver a realidade exceto pelos olhos do Partido.”

(O’Brien para Winston em trecho de “1984”, de George Orwell)

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