A tabelinha de opiniões permitidas

​por Thomas Wood

Eu acho que todos sabem o que quero dizer quando falo sobre os guardiões do debate aceitável. À esquerda, sites como ThinkProgress e Media Matters difamam e atacam aqueles peões atrevidos que se afastam da fazenda ideológica que o Washington Post e o New York Timesadministram. À direita são os sites neoconservadores, como o Free Beacon, que construíram uma pequena e aconchegante cabana naquela fazenda e que entregam qualquer um que tente escapar. Nós não compartilhamos de nenhuma das perigosas opiniões daqueles libertários, meu bom senhor repórter do New York Times! Nós somos bonzinhos e decentes, e com certeza vamos ficar de olhos bem atentos naqueles terríveis subversivos que, provavelmente por causa de algum problema mental, estão insatisfeitos com o espectro Hillary–Romney no qual fomos encorajados a nos delimitar.

Claro que os respeitáveis da esquerda e da direita nem se dignam a mostrar onde está nosso erro. O simples fato de nos termos afastado do espectro aprovado é o bastante para nos refutar. É por isso que tenho chamado essas pessoas de os controladores do pensamento, os supervisores, ou a polícia da opinião aprovada.

Permita-me colocar de outra forma: de vez em quando eles tentam nos mostrar onde estamos errados, mas quase sempre eles nem sequer são capazes de expor nossa posição corretamente, quanto mais agrupar argumentos eficazes contra ela. O propósito dessas supostas respostas não é esclarecer, mas demonizar os libertários perante a opinião pública.

No Real Dissent: A Libertarian Sets Fire to the Index Card of Allowable Opinion – meu único livro dos últimos quarto anos – eu miro nesses críticos e seus argumentos.

A parte I trata de política externa e guerra. O regime provocou mais confusão entre o público sobre estes temas do que sobre qualquer outro. Dentre todos, os conservadores terminaram apoiando ações que (1) expandem o poder do estado sobre a sociedade civil; (2) são justificadas baseadas em propaganda que eles dariam risadas se saíssem das bocas de Saddam Hussein ou Nikita Krushchev; e (3) violam os padrões absolutos de moralidade que os conservadores nunca se cansam de nos dizer que estão sendo atacados. Enquanto isso, a reputação antiguerra dos esquerdistas é quase que totalmente desmerecida; a esquerda mainstream apoiou todas as principais guerras americanas do século XX.

Sem dúvida que os conservadores se consideram audaciosos anti-establishment por apoiarem as intervenções das forças armadas americanas, no entanto, todos os principais jornais americanos apoiaram as duas guerras no Iraque e pediram por uma postura beligerante contra o Irã. Se os conservadores acham que estão indo contra o New York Times ao apoiar as guerras do governo federal, eles estão se autoenganando. Foi Judith Miler, do New York Times, por exemplo, que ficou famosa por sua aceitação automática da propaganda de guerra. Hillary Clinton e John Kerry eram perfeitamente tão beligerantes quanto George W. Bush – Kerry até chegou a dizer em 2004 que ele estaria menos disposto do que Bush a retirar as tropas do Iraque, e propôs enviar mais 40.000 homens.

Contra este consenso bipartidário, qualquer um que defenda uma política externa não intervencionista – a posição libertária conservadora correta, se alguém quer saber – pode esperar ser marginalizado e ignorado. Enquanto isso, as intervenções dos últimos doze anos saíram espetacularmente pela culatra, como Ron Paul e outros não intervencionistas previram que aconteceria.

Eu coloco esta parte do livro na frente e em destaque porque eu mesmo tenho muita penitência a cumprir. Quando jovem eu era um ouvinte de Rush Limbaugh e um típico neoconservador. Eu torcia por toda intervenção externa do governo, aceitava todos os argumentos oficiais, e demonizava oponentes e céticos como inimigos da América. Então eu percebi que eu era apenas o outro lado da moeda de um típico esquerdista progressista, que torcia por toda intervenção interna do governo, aceitava todos os argumentos oficiais, e demonizava oponentes e céticos como inimigos dos pobres.

Com tanto a esquerda quanto a direita torcendo pelo estado em uma ou outra competência, as possibilidades de diminui-lo são mínimas. O pacote completo, a completa trama de mentiras, precisa ser confrontado.

A Parte II é uma defesa da economia de livre mercado contra alguns dos argumentos mais comuns. Aqui meus oponentes não caem necessariamente na categoria de controle de pensamento. Mas muitos dos argumentos que estou replicando pertencem a variedade “só um ideólogo poderia discordar de mim”. “Monopólios” iriam dominar se vocês libertários vencessem! Todos iriam receber 10 centavos por dia! Publicitários iriam manipular os consumidores!

Estes argumentos e muitos outros são os primeiros a serem destruídos.

A Parte III encarrega-se de alguns ataques contra o libertarianismo feitos por veículos mainstream nos últimos anos. Parece que não se passa uma semana sem que um não seja feito. Nada me dá mais feedback do que quando eu me encarrego de críticos como esses e os faço voltar para casa chorando para suas mães. Esta parte do livro reúne um monte dessas respostas.

Na Parte IV eu avalio a importância do fenômeno Ron Paul. Ron era tudo que o establishment teme: alguém que fala a verdade abertamente, um homem sincero, um destemido abatedor de vacas sagradas. Ele se recusou a se encaixar em qualquer categoria fixa que nossos formadores de opinião tentam classificar tudo e todos. Ele era antiestado e antiguerra – o próprio epítome da consistência, embora a maioria dos conservadores (e, aliás, esquerdistas) considere isso uma contradição inexplicável.

(Fico feliz de mencionar que o próprio Ron contribuiu com um generoso prefácio para o livro)

O Banco Central é o assunto da Parte V. Fale sobre opinião permitida de fora: oposição ao Banco Central não se via em nenhum lugar do mainstream político americano durante estes quase 100 anos depois de sua criação, no final de 1913. Hoje, a opinião iluminada está estarrecida por ter que reconhecer a existência de críticos que questionam a sabedoria dos iluminados guardiões de seu sistema monetário. Mas dado o retrospecto do Banco Central, a confiança ingênua que a esquerda e a direita mainstream espera que depositemos no Banco Central seria inapropriada.

A Parte VI corrige dados históricos em temas que vão dos sindicatos trabalhistas e dos poderes de guerra do presidente, à nulificação estadual. Aqui você encontrará meu famoso confronto com o apresentador de radio Mark Levin, cuja ideia que tem de debate é chamar seu oponente de idiota e não deixar que seus apoiadores leiam por si mesmos o que a pessoa escreveu. Em contraste, eu fiquei mais do que satisfeito de direcionar meus leitores as respostas de Levin, principalmente por estar certo de que eu havia vencido nosso debate.

Na Parte VII, uma sessão curta, eu gentilmente corrijo certos libertários que gastam seus tempos assegurando a opinião respeitável de que eles são completamente diferentes destes libertários extremistas como Woods, e que eles realmente são bem obedientes e submissos quando se trata de temas que os americanos foram instruídos a não discutir.

Têm mais três partes, mas já deu pra você ter uma ideia. Dos meus doze livros, considero este o mais agradável de se ler, e eu o enchi de argumentos que você pode usar em seus próprios debates.

A resposta adequada para a tabelinha de opiniões permitidas que a classe política e midiática espera que nos pautemos é botar fogo nela. Este livro é o fósforo.

 

Artigo original aqui

Tradução Fernando Chiocca

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