Proibir a venda de sangue e de órgãos faz sentido?

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Por Abigail R. Hall

Em dezembro, muitos de nós celebram o Natal ou o Hanukkah. Além do aspecto profundamente religioso deste período, nós celebramos os dias festivos passando tempo com família e amigos, e é claro, trocando presentes.

Muitas pessoas, todavia, não terão motivo para celebrar. A razão? Elas estão esperando por um transplante de órgãos. De acordo com o U.S. Department of Health and Human Services, mais de 123 mil pessoas estão na lista de espera para transplantes.

Para muitos desses pacientes, o novo órgão que tão desesperadamente necessitam nunca chegará. Entre janeiro e agosto de 2015, somente 20.704 transplantes foram realizados a partir de 10.051doadores. Das mais de 101 mil pessoas nos Estados Unidos que precisam de um rim, menos de 17.000 serão agraciados com um transplante esse ano. A cada 14 minutos alguém é adicionado à lista. A cada dia, 12 pessoas morrem por não terem tido um transplante, e outras ficam muito doentes para se submeterem a cirurgia.

A necessidade por órgãos está crescendo. Com o avanço da tecnologia, os transplantes podem fazer com que mais mais pessoas vivam mais e melhor. Todavia, o mesmo avanço é responsável salvar a vida de muitos doadores em potencial. Tomadas em conjunto, a demanda por órgãos cresce enquanto a oferta permanece, no melhor dos mundos, estável.

Uma solução para esse problema é permitir a venda de órgãos humanos. Indivíduos em busca de um rim, parte de um fígado, etc, poderiam pagar a um doador potencial um valor X pelo seu órgão. Nos Estados Unidos, tais vendas são ilegais sob o National Organ Transplant Act. Encorajar a “doação” por meio de qualquer tipo de pagamento também é ilegal.

Muitas pessoas levantam objeções ao livre mercado de órgãos por diversas razões. No entanto, ao se investigar mais profundamente, tais objeções simplesmente não se sustentam.

Os críticos argumentam que somente pessoas pobres estariam dispostas a vender seus órgãos, e esses indivíduos desesperados o fariam sem entender as consequências de suas ações. Contudo, três coisas deveriam ser consideradas com respeito a essa objeção. Primeiro, podemos imaginar um período de espera entre o momento da venda do órgão e a transação em si, evitando qualquer decisão “impensada”. Segundo, mesmo se somente pessoas pobres vendessem seus órgãos, os doadores ainda estariam em vantagem. No mercado negro, um rim é vendido por US$ 160 mil dólares. Mesmo se os doadores recebessem somente 1% desse valor, ou US$ 1.600, tal pagamento pode representar três vezes mais do que um indivíduo recebe em um ano de trabalho em algumas partes do mundo. Terceiro, pessoas pobres vendem seus órgãos atualmente, mas o fazem no mercado negro. Isso significa que, se o transplante não der certo, o vendedor não terá nenhum suporte legal e é menos provável que receba cuidado médico adequado antes, durante ou depois do procedimento cirúrgico.

Outros objetam que permitir a venda legal levaria ao tráfico de órgãos. As pessoas seriam sequestradas e “assassinadas” por seus órgãos. Essa objeção, todavia, ignora que todos os mercados estão sujeitos a regras. Tornar ilegal vender o seu órgão não torna ilegal o roubo dele por parte de outrem. Segundo, o tráfico de órgãos é a realidade em que vivemos atualmente. Como vender órgãos é ilegal, as oportunidades de lucro pela obtenção de órgãos induzem muitas pessoas a obtê-los de forma violenta.

Muitas pessoas veem a venda de órgãos como algo moralmente censurável. Mas considere que, hoje, todas as pessoas presentes na sala de operação durante o transplante estão sendo compensadas – exceto o doador. Os médicos e as enfermeiras são pagos pelas suas habilidades, assim como o são as pessoas que esterilizam o local. O receptor, obviamente, é ‘pago’ com um novo órgão. Parece estranho que a pessoa que está oferecendo o objeto de maior valor, o seu órgão, é a única deixada sem compensação.

Enquanto você celebra as festas com famílias e amigos, lembre-se daqueles que não podem estar com os seus familiares. Para muitos, a necessidade de um órgão irá afastá-los dos seus planos e tradições. Ao legalizar a venda de órgãos, poderíamos permitir a milhares de pessoas passarem os dias festivos com suas famílias, em vez de isolados em camas de hospitais.

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