Panarquia – Liberdade de associação!

Por Uriel Carrano

 

Outro dia em conversa com um amigo estatista, eu ouvi o seguinte argumento:

“O estado existe desde o início, é algo intrínseco a humanidade e sempre vai existir”.

Não é necessário nenhum esforço intelectual para notar o absurdo deste argumento.

A tradição não pode legitimar a violência e a escravidão. Não é porque estamos a 10 mil anos em escravidão política, que isso a justifique ou a torne legítima e aceitável.

Entretanto, é fato que estatistas existem e vão continuar a existir, é natural do ser humano a busca por instituições que o represente.

Embora esse meu amigo esteja errado em justificar a escravidão pela tradição, ele acerta em apontar que sempre vão existir estatistas*.

E isso nunca foi um problema real para a teoria libertária/voluntarista. Pois sendo voluntário, nada impede a formação de comunidades com governos voluntários. Só se torna um problema a partir do momento em que tais modelos se tornam obrigatórios – através de uma imposição territorialista e monopolista.

Panarquia – A Ideia esquecida de Paul Emile de Puyd

Em meados do século XIX, o economista e botânico Paul Emile de Puydt teve uma ideia, tão óbvia que se tornou esquecida – a Panarquia.

Puydt aplica o conceito do direito individual à escolha do sistema de governo (ou não-governo) – sem limitar tal escolha a fronteiras geográficas ou outros aspectos culturais.

Puydt teve uma ideia simples, visto que existem diferentes pessoas com diferentes ideologias, porque não aplicar as mesmas regras das organizações voluntárias também a entidades políticas? Acabando assim com a compulsão, agradando gregros e troianos.

A teoria de Puydt é em essência libertária, ou seria a teoria libertária em essência panarquica?

O que diferencia a teoria libertária das demais é basicamente a não-imposição de modelos sociais. O anarquismo de mercado não é um modelo social, mas sim uma estrutura para modelos sociais. E é isso que os nossos detratores ainda não perceberam. (Pois vivem mentalmente limitados pela noção estado-território-monopólio).

Anarquia de mercado pode ser muito bem redefinida como Panarquia – que é a possibilidade da existência e associação (e não-associação) de/a várias organizações voluntárias em um mesmo território.

Ou seja, a Panarquia/Anarquia de mercado permite que várias entidades políticas**, seguradoras, cooperativas e empresas coexistam em um mesmo território, podendo assim ofertar de forma livre os serviços que hoje se encontram monopolizados.

Para isto, basta que a associação a tais entidades políticas deixe de ser compulsória e se torne voluntária.

Assim como um dia a associação religiosa foi compulsória e delimitada territorialmente e tal modelo se tornou obsoleto, retrógrado. Hoje o mesmo acontece com a política e a sua imposição monopolista, que resulta e alimenta conflitos sociais, sendo um instrumento do passado que parasita a humanidade, e que necessita ser descentralizada, voluntária e limitada apenas aos seus próprios apoiadores e não por barreiras geográficas.

Os que defendiam a separação da religião e do estado também foram vistos com desconfiança no passado, o mesmo ocorre hoje com libertários e voluntaristas. Mas a cada dia que passa, fica mais claro o fato de que NÃO necessitamos de uma instituição monopolista baseada na força para o fornecimento de serviços, qualquer que seja.

Panarquia é o verdadeiro pilar da filosofia libertária (livre associação) e talvez o argumento mais agregador em favor da anarquia libertária de mercado (pois agrada a quase todos os diferentes ideais sociais). Estatistas fãs da organização não-empreendorial não serão proibidos de formar suas associações – só não poderão impor pela força.

A panarquia de Puydt é uma abordagem consistente pró-indivíduo e fácil de ser transmitida para pessoas de outras ideologias e por ela, um meio indireto de difundir o ideal libertário.

Nas palavras de Puydt:

A verdade é que há liberdade suficiente, a liberdade fundamental de escolher ser livre ou não de acordo com suas preferencias… Assim, proponho que à cada membro da sociedade humana liberdade de associação de acordo com ideologia e inclinação. Em outras palavras, o direito de escolher seu ambiente político no qual viver e nada mais.”

Paul Emile de Puydt

 

 

 

*Estatistas como pessoas que desejem ser representadas politicamente ou governadas.

**Entidades políticas como organizações voluntárias e com ação limitada aos seus próprios apoiadores e não por delimitações geográficas. (Assim como empresas e cooperativas).

 

Para mais informações ler Panarquia (1860) de Paul Emile de Puydt.

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