DEMOCÍDIO: O estado é o Maior Assassino da História

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Democídio é um termo revivido e redefinido pelo cientista político R. J. Rummel como “o assassinato de qualquer povo ou indivíduo por seu governo, incluindo genocídio, politicídio e assassinato em massa”. Rummel criou o termo como um conceito estendido para incluir formas de assassinato estatal que não estão cobertas pelo termo genocídio, e seu termo tornou-se amplamente aceito entre outros estudiosos. De acordo com Rummel, democídio ultrapassa a guerra como a principal causa de mortes não-naturais do século XX.


DEFINIÇÃO

Democídio é o assassinato de qualquer povo ou pessoa por seu governo, incluindo genocídio, politicídio e assassinato em massa. Democídio não é necessariamente a eliminação de grupos culturais inteiros, mas sim grupos dentro do país que o governo sente que precisam ser erradicados por razões políticas e alegadas ameaças futuras. Segundo Rummel, o genocídio tem três significados diferentes. O significado comum é o assassinato de pessoas por parte do governo, devido à sua associação a grupos nacionais, étnicos, raciais ou religiosos. O significado legal de genocídio se refere ao tratado internacional sobre genocídio, a Convenção de Prevenção e Punição do Crime de Genocídio. Isto também inclui atos não letais que resultem na posterior eliminação ou grande prejuízo de um grupo.

Analisando a história, podemos ver as diferentes variações de democídios que ocorreram, mas ainda assim consistem em atos de matança ou assassinato massivo. Um significado generalizado de genocídio é similar ao significado comum, mas também inclui assassinato de oponentes políticos de um governo. Com a intenção de evitar confusões com relação aos significados, Rummel criou o termo Democídio para atuar como um terceiro significado.

Os objetivos de um plano de democídio incluem a desintegração das instituições políticas e sociais de cultura, linguagem, sentimentos patrióticos, religião, e da existência econômica de grupos nacionais; a destruição da segurança pessoal, liberdade, saúde, dignidade, e até mesmo as vidas dos indivíduos pertencentes a esses grupos.

Democídio também pode incluir as mortes decorrentes de “desprezo intencional ou conscientemente imprudente pela vida”; isso coloca na conta muitas morte decorrentes de várias negligências e abusos, como a inanição massiva. Rummel exclui explicitamente as mortes em combate de sua definição. Pena capital, ações tomadas contra civis armados durante rebeliões, e as mortes de não-combatentes durante ataques a alvos militares, não são considerados democídio.

“Eu uso a definição civil de assassinato, onde alguém pode ser culpado de assassinato se ele for responsável de forma negligente e intencional pela perda da vida, como no encarceramento de pessoas em campos, onde logo morreriam de desnutrição, enfermidades não tratadas, e trabalho forçado…”, explica Rummel.

Alguns exemplos de democídio citados por Rummel incluem o Grande Expurgo, realizado por Joseph Stalin, na União Soviética, as mortes causadas pela política colonial do estado Livre do Congo, e o Grande Salto Adiante, de Mao Zedong, que resultou em uma fome epidêmica que matou milhões de pessoas. De acordo com Rummel, estes não foram casos de genocídio, porque aqueles que foram mortos não foram selecionados com base em sua raça, mas foram massacrados em grandes números como resultado de políticas governamentais. A fome é classificada como Rummel como democídio quando se encaixa na definição acima.

Rummel reclassificou o Grande Salto Adiante como democídio em 2005. Ele acreditava que as políticas de Mao foram, em grande parte, responsáveis pela fome, mas que Mao foi enganado sobre isso, e quando finalmente descobriu, ele botou um fim em tais políticas e as modificou. Portanto, pensou Rummel, que não foi uma epidemia de fome intencional e, portanto, não foi um democídio. No entanto, as alegações de Jung Chang e Jon Halliday no controverso “Mao: A História Desconhecida”, apontam que Mao sabia sobre a fome desde o princípio, mas não se importou, e eventualmente Mao teve que ser impedindo através de uma reunião com 7000 dos principais membros do Partido Comunista. Com base nas afirmações do livro, Rummel agora vê a epidemia de fome como intencional e, portanto, democídio.

Levando isso em conta, o total de democídio para o Partido Comunista Chinês é de 77 milhões, mais do que a União Soviética (62 milhões), Alemanha Nazista (21 milhões), ou qualquer outro regime do século XX.


PESQUISA SOBRE DEMOCÍDIO

As fontes de Rummel incluem trabalhos acadêmicos, relatórios de refugiados, memórias e biografias, análises históricas, contagens de corpos exumados, e registros mantidos pelos próprios assassinos. Ele estima a taxa de mortes para cada país ao longo do século, junto com uma estimativa mínima e uma máxima para compensar as incertezas. Estas estimativas máximas podem ser consideradas absurdas por outros.

Sua pesquisa mostra que o número de mortos por democídio é muito maior do que o número de mortos por guerras. Depois de estudar mais de 8000 relatórios de mortes causadas pelo estado, Rummel estima que houveram 262 milhões de vítimas de democídio no último século. De acordo com seus números, seis vezes mais cidadãos morreram pelas mãos de pessoas trabalhando para governos do que mortos em batalha.

Uma de suas principais conclusões é que as democracias liberais têm muito menos democídio do que regimes autoritários. Ele argumenta que há uma relação entre poder político e democídio. O assassinato político massivo torna-se cada vez mais comum conforme o poder político torna-se irrestrito. No outro extremo da escala, onde o poder é difuso, fiscalizado e balanceado, a violência política é uma raridade. De acordo com Rummel, “quanto mais poder um regime tem, mais pessoas serão mortas. Essa é uma das principais razões para promover a liberdade”.

Rummel concluiu que poder político concentrado é a coisa mais perigosa da Terra.

Vários outros pesquisadores alcançaram resultados semelhantes. “Numerosos pesquisadores apontam que as normas e estruturas políticas democráticas restringem as decisões da elite sobre o uso de repressão contra seus cidadãos, enquanto que elites autocráticas não são tão limitadas. Uma vez estabelecidas, instituições democráticas – mesmo as parciais – reduzem a possibilidade de conflito armado e elimina o risco de que isso leve a geno/politicídio.”

Estimativa Mínima: 170 milhões
Estimativa Máxima: 262 milhões

De 1900 a 1987, governos, quase-estados e grupos apátridas mataram através de democídio (genocídio, massacres, execuções extra-judicias, e similares) perto de 170 milhões de pessoas. Estudos de caso e análises quantitativas mostram que a diversidade étnica, racial e religiosa, o desenvolvimento econômico, os níveis de educação, e as diferenças culturais não são responsáveis por esta matança. Em vez disso, democídio é melhor explicado pelo grau em que um regime adquire poder ao longo de uma dimensão democrática para totalitária, e secundariamente, a extensão do envolvimento característico em guerras ou rebeliões.

Vídeo:


Texto oriundo da SFB – Sociedade Forteana Brasileira.

Tradução e verificação de dados: Black Messiah / Moshiach Shakhor

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